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Praça Castro Alves volta a esconder ruínas do Teatro São João após descoberta histórica

Estruturas do Teatro São João descobertas em 2019 sob a Praça Castro Alves foram cobertas novamente

Por Dinaldo dos Santos.

As ruínas do Teatro São João, descobertas em 2019 durante obras de requalificação da Praça Castro Alves, em Salvador, foram novamente cobertas. A área onde estavam os vestígios do antigo equipamento cultural, considerado um dos mais importantes da história da cidade, atualmente está cimentada, e o futuro do sítio arqueológico permanece sem definição pública.

Teatro São João. Foto: Reprodução | Salvador Antiga

A situação chama atenção porque, após a descoberta, havia a expectativa de que as estruturas fossem preservadas e integradas ao espaço urbano, permitindo algum tipo de contato da população com parte da história do teatro.

À época, a Fundação Gregório de Matos informou que as ruínas seriam recuperadas e que estudava uma solução para valorizar o achado arqueológico, com a possibilidade de incorporação ao projeto da praça.

O que diz o Iphan

Em nota, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) esclareceu que não determinou o reaterramento dos vestígios arqueológicos encontrados em frente ao Palácio dos Esportes, na Praça Castro Alves. Segundo o órgão, sua atuação se limita ao acompanhamento técnico das intervenções relacionadas ao patrimônio arqueológico, enquanto a gestão da área é de responsabilidade da Prefeitura de Salvador.

O instituto explicou que o reaterramento é uma técnica amplamente utilizada para preservar sítios arqueológicos após a conclusão das escavações.  "Afinal, a escavação arqueológica é um método técnico-científico de destruição controlada de um sítio a fim de se obter informações sobre o contexto material em estudo", esclareceu.

Ainda de acordo com o órgão, as escavações realizadas por uma empresa contratada pela Prefeitura seguiram todas as normas de preservação. 

O instituto acrescentou que, como o projeto inicial para a área não foi executado, o sítio permaneceu exposto e passou a sofrer os efeitos da ação do sol, da chuva, do vento, da poluição, das vibrações provocadas pelo tráfego de veículos e do crescimento da vegetação, fatores que podem comprometer a conservação dos vestígios.

A Fundação Gregório de Matos foi questionada sobre o projeto inicialmente anunciado após a descoberta, sua participação na decisão pelo aterramento e quais são os planos para a valorização do patrimônio encontrado. Até a publicação desta reportagem, os dois órgãos não haviam encaminhado respostas.

Em nota, a Prefeitura de Salvador informou ainda que a decisão foi adotada após o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) considerar inviáveis os projetos de preservação com visitação pública e recomendar o aterramento, além de destacar que a intervenção permitirá a reabertura integral da praça, que estava parcialmente isolada desde 2019.

"Diante da impossibilidade de executar a proposta originalmente concebida para a área, a Prefeitura adotou a solução recomendada pelo órgão estadual", informou a gestão municipal.

Sobre o Teatro São João

O Teatro São João foi inaugurado em 1812 e é apontado por historiadores como um dos maiores espaços teatrais das Américas no período. O equipamento teve papel de destaque na vida cultural de Salvador durante o século XIX, recebendo apresentações artísticas e eventos importantes.

Teatro São João. Foto: Reprodução

Em 1923, um incêndio destruiu a construção. O que restou da estrutura foi aterrado e, posteriormente, a área passou a abrigar a Praça Castro Alves, um dos principais cartões-postais e espaços simbólicos da capital baiana.

Quase cem anos depois, as escavações realizadas durante a requalificação do local revelaram novamente parte dessa memória histórica, abrindo o debate sobre como Salvador poderia preservar e apresentar à população um dos seus mais relevantes patrimônios arqueológicos.

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