Contaminação em São Tomé de Paripe gera emergência em Salvador
Após identificar poluentes na água, na areia e em organismos marinhos, na praia de São Tomé de Paripe, autoridades reconhecem contaminação química e ampliam medidas para conter danos ambientais
Por Laraelen Oliveira.
O Governo Federal reconheceu a situação de emergência em Salvador devido à contaminação química registrada na praia de São Tomé de Paripe, localizada no Subúrbio Ferroviário. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) por meio de portaria assinada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
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Desde fevereiro, moradores e frequentadores da região relatam o aparecimento de manchas azuis e amarelas na faixa de areia e na água do mar. Em maio, análises confirmaram a presença de substâncias químicas contaminantes na área.
Impacto da contaminação em São Tomé de Paripe
O reconhecimento federal foi motivado pelo registro de um derramamento de produtos químicos em ambiente marinho, conforme apontado no Formulário de Informações do Desastre (FIDE). Com a medida, a Prefeitura de Salvador poderá solicitar apoio financeiro da União para executar ações de defesa civil e mitigação dos danos causados pela contaminação.

Os pedidos de recursos devem ser encaminhados por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). Após a apresentação dos planos de trabalho, técnicos da Defesa Civil Nacional analisam as propostas e, caso aprovadas, os valores são liberados por meio de nova portaria publicada no DOU.
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De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), inspeções realizadas entre março e abril identificaram concentrações elevadas de compostos nitrogenados e metais, especialmente cobre, em áreas próximas ao foco da contaminação.
A ampliação das investigações, com análises em oito pontos da praia, também constatou a presença de poluentes nos sedimentos, na biota marinha, incluindo siris e moluscos, e na água intersticial, localizada abaixo da superfície da areia. Além disso, foram detectados níveis elevados de nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal.

Durante as inspeções, o órgão ambiental identificou ainda um estoque remanescente de ureia em um terminal marítimo da região. Segundo o Inema, os resultados confirmam a existência de poluição ambiental efetiva na área.
Conforme análises da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a exposição aos contaminantes pode provocar irritações na pele, além de sintomas gastrointestinais.
Multas aplicadas pela Inema
O Inema aplicou multas a empresas ligadas às operações realizadas no terminal marítimo da região. A Gerdau Aços Longos S.A., antiga gestora do terminal, foi autuada em R$ 50 milhões.
Segundo o instituto, as atividades de estocagem e movimentação de granéis sólidos no terminal contribuíram para o cenário de contaminação identificado na praia de São Tomé de Paripe.
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A multa foi aplicada no dia 3 de junho, mas a informação foi divulgada publicamente após a formalização da intimação das empresas envolvidas. As autuadas terão prazo de 20 dias para apresentar defesa administrativa.
Contaminação química gera prejuízos para pescadores e moradores locais
A contaminação química também trouxe impactos econômicos para pescadores, marisqueiras e ambulantes que dependiam da praia para garantir renda. Com as restrições impostas devido aos riscos ambientais e sanitários, muitos trabalhadores ficaram impedidos de exercer suas atividades. A Prefeitura de Salvador chegou a realizar uma ação emergencial com distribuição de cestas básicas para os pescadores, marisqueiras e ambulantes da região de São Tomé de Paripe.
Em entrevista concedida anteriormente ao g1, o presidente da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio, Reinaldo Jorge Cirne, afirmou que diversos profissionais precisaram buscar alternativas para sobreviver. Entre elas, a coleta de materiais recicláveis, como latas e papelão, para complementar a renda familiar.

Em nota, a Gerdau informou que recebeu o auto de infração emitido pelo Inema e que apresentará defesa administrativa baseada em documentação e laudos técnicos. A companhia destacou ainda que não é titular da licença ambiental vigente do terminal marítimo desde 2022, quando a autorização foi transferida para outro operador.
A empresa reafirmou seu compromisso com as comunidades onde atua e informou que mantém diálogo com as autoridades responsáveis pelas investigações.
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