Pagando por 'blindagem': como chefes do tráfico da Bahia estão usando favela do Rio como 'bunker'
Em entrevista ao Linha de Frente, da Antena 1, o Secretário Marcelo Werner afirmou que chefes de facções baianas se refugiam em comunidades cariocas para continuar ordenando crimes
Por João Tramm.
Lideranças criminosas da Bahia estão se refugiando em favelas do Rio de Janeiro e pagando criminosos locais por proteção territorial armada. A informação foi dada pelo secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, em entrevista ao programa Linha de Frente, da Rádio Antena 1.
O titular da SSP-BA afirmou que os criminosos chegam a levar familiares e comparsas para as comunidades cariocas enquanto continuam determinando ações criminosas na Bahia.

Lideranças criminosas da Bahia buscam refúgio no Rio de Janeiro
De acordo com o secretário, a estrutura das comunidades dominadas por facções no Rio de Janeiro oferece condições para que criminosos de outros estados permaneçam escondidos por longos períodos.
“Eles vão para lá, pagam por segurança, pagam e levam família, levam outros comparsas daqui também e ficam realmente lá, vivendo uma vida sem sair daquela comunidade, mas de lá encaminhando, determinando ordens, mortes aqui”, explicou Werner.
Werner citou a geografia das favelas, o poderio bélico das organizações criminosas e a instalação de barricadas como fatores que dificultam o acesso das forças de segurança e favorecem a atuação desses grupos.
Segundo Marcelo Werner, a saída de lideranças baianas para outros estados é consequência do avanço das ações de inteligência e repressão realizadas pelas forças de segurança da Bahia.
Das mais de 170 lideranças criminosas capturadas recentemente a partir de ações de inteligência, cerca de 70% foram localizadas fora da Bahia, em aproximadamente 20 estados brasileiros.
O secretário também citou casos recentes de criminosos que tentaram escapar do cerco policial. Um deles foi preso na rodoviária de Salvador, enquanto outro já havia comprado uma passagem aérea com destino ao Rio de Janeiro.
Cooperação entre Bahia e Rio
Para localizar criminosos que deixam a Bahia, a Secretaria da Segurança Pública mantém articulação com órgãos de segurança de outros estados, especialmente com a pasta responsável pela segurança pública no Rio de Janeiro.
Segundo Werner, operações realizadas em comunidades cariocas já identificaram e prenderam integrantes de organizações criminosas que atuavam em diferentes estados brasileiros.
Além de criminosos ligados à Bahia, foram localizados chefes de grupos criminosos de estados como Rio Grande do Norte, Pará e Amazonas.
“O problema do Rio de Janeiro é um problema que atinge todo o Brasil”, afirmou o secretário.
Traficantes da Bahia no Rio
Um dos últimos casos de fuga ao Rio de Janeiro foi do traficante Dada, em abril deste ano.
O traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada e apontado como chefe de uma facção ligada ao Comando Vermelho (CV) na Bahia, se escondia em uma casa de alto padrão no Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O imóvel, com piscina de borda infinita e vista privilegiada para o mar e para bairros da região, era utilizado pelo suspeito como refúgio.
De acordo com as investigações, o suspeito fugiu do Conjunto Penal de Eunápolis, em 2024, e passou a se esconder na comunidade da Rocinha, em São Conrado, também na Zona Sul do Rio.
Assista ao programa na íntegra:
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).