Mulheres vítimas de violência podem ter direito a salário mínimo por até dois anos em Salvador
Projeto também prevê que mulheres vítimas de violência doméstica que receberem os salários não poderão desistir das medidas protetivas, denúncias ou ações judiciais; saiba como projeto vai funcionar
Por Laraelen Oliveira.
O Projeto de Lei nº 261/2026 prevê que mulheres vítimas de violência doméstica, vulnerabilidade ou dependência econômica poderão receber auxílio financeiro temporário em Salvador. A proposta foi apresentada na Câmara Municipal pela vereadora Marcelle Moraes (UB) e tem o objetivo de fazer com que as vítimas recebam um salário mínimo nacional, por até 24 meses.
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Como funcionará o salário mínimo para mulheres vítimas de violência?
Diante do possível projeto de lei, o Aratu On montou uma passo a passo sobre como as mulheres poderiam buscar o benefício caso ele for aprovado, confira abaixo:
1. A mulher deverá apresentar um documento que comprove a situação de violência, como:
- registro de ocorrência policial;
- medida protetiva;
- processo judicial;
- encaminhamento de órgão da rede de proteção;
- ou outro documento reconhecido pela regulamentação.
2. Comprovar a situação de vulnerabilidade
Também será considerada a existência de vulnerabilidade ou dependência econômica que dificulte o afastamento do agressor.
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3. Solicitar o benefício
O pedido deverá seguir um processo simplificado, acessível e humanizado, com medidas para evitar que a mulher seja revitimizada durante o atendimento.
4. Garantir o sigilo das informações
Os dados e informações relacionados à situação de violência deverão ser tratados de forma sigilosa, seguindo as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
5. Receber o auxílio sem abrir mão dos direitos
O pagamento não poderá ser condicionado à desistência de:
- medidas protetivas;
- denúncias;
- ações judiciais;
- ou procedimentos de responsabilização do agressor.
6. Utilizar o período de apoio para reorganizar a vida
A proposta busca garantir segurança financeira para que a mulher possa buscar emprego, retomar atividades profissionais, encontrar uma moradia adequada e se afastar da situação de violência.
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7. Ter acesso a outras políticas públicas
O benefício deverá ser integrado a políticas municipais de assistência social, saúde, habitação, trabalho, renda, educação, segurança e proteção às mulheres.
Parceiros ou exes são responsáveis por 72,9% dos feminicídios na Bahia
A Rede de Observatórios da Segurança divulgou a sexta edição do boletim Elas Vivem: a urgência da vida, que reúne dados sobre violência contra mulheres em nove estados brasileiros, entre eles a Bahia. De acordo com o levantamento, a Bahia registrou 240 casos de violência contra mulheres em 2025, número que representa uma redução de 6,6% em relação ao ano anterior. O estudo também aponta lacunas na identificação das vítimas: em 85% das ocorrências não havia informação sobre raça ou cor. Nos casos de feminicídio registrados no estado, 72,9% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo o relatório.

Mulheres vítimas de violência doméstica e familiar na Bahia podem contar com uma rede de serviços gratuitos de apoio jurídico, psicológico e social, disponíveis tanto em Salvador quanto em cidades do interior do estado.
Conforme as informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, de janeiro a outubro de 2025, foram registrados 97 casos de feminicídio na Bahia, mas ainda posicionando o estado entre os que mais registram assassinatos de mulheres no Brasil. O Aratu On reuniu diversos serviços gratuitos para mulheres vítimas de violência, saiba como denunciar.
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