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Veja quem são os presos na operação contra tráfico de drogas de luxo na Bahia

Operação contra tráfico de drogas de luxo na Bahia aponta atuação do grupo na distribuição de drogas para consumidores de alto poder aquisitivo

Por Ananda Costa.

Onze pessoas foram presas durante a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia nesta quinta-feira (24) contra uma rede suspeita de tráfico de drogas voltada para consumidores de alto poder aquisitivo.

Operação contra tráfico de drogas de luxo na Bahia

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e registradas duas prisões em flagrante. A operação também resultou na apreensão de drogas, carros de luxo, uma pistola, celulares e documentos.

As prisões ocorreram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus. Um dos alvos já estava custodiado no sistema prisional de Aracaju, em Sergipe, onde o mandado foi cumprido.

De acordo com as investigações, entre os presos estão integrantes apontados como parte da liderança do esquema, distribuidores de drogas, suspeitos de atuar na lavagem de dinheiro e pessoas que teriam participado da logística de armazenamento e comercialização dos entorpecentes.

Veja quem são os presos na operação contra tráfico de drogas de luxo na Bahia

Erik Castro Gusmão Seixas — alvo principal

Foi preso preventivamente e também em flagrante após a localização de drogas. Segundo a investigação, é apontado como principal alvo da operação e atuava na comercialização de diferentes variedades de maconha por meio do Instagram. Para ocultar valores que seriam provenientes do tráfico, teria utilizado uma empresa individual de fachada, contas de terceiros e o nome da avó para registrar veículos de alto padrão. Ele também teria negociado uma arma de fogo.

Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes — Jaguaripe

Foi preso na zona rural de Jaguaripe. Conforme a investigação, atuava na lavagem de capitais por meio de uma empresa de fachada, identificada como “Grupo Thor”.

Luan Costa da Silva — distribuidor no interior

Foi preso preventivamente e também em flagrante após a localização de drogas. É apontado como distribuidor de entorpecentes em grande escala no interior da Bahia, principalmente em Santo Antônio de Jesus. Segundo a investigação, negociou a venda de uma pistola Glock com Erik e administrava a logística de remessas de grandes quantidades de drogas, utilizando contas bancárias e linhas telefônicas de terceiros.

Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes — Vitória da Conquista

Foi preso preventivamente e também em flagrante com drogas. A investigação aponta que ele atuava como distribuidor regional em Vitória da Conquista e cidades vizinhas. Também teria orientado Erik sobre formas de ocultar drogas durante o transporte, incluindo o uso de embalagens a vácuo dentro de potes de creme para disfarçar o odor.

Laisa Franca Lacerda — apoio logístico

Foi presa preventivamente. Segundo a investigação, disponibilizava a própria residência para armazenamento e retirada de drogas por compradores. Também teria participado da movimentação financeira do grupo, com mais de R$ 180 mil movimentados por meio de contas pessoais e de uma empresa de fachada.

Matheus Ribeiro Mello do Nascimento — revenda de drogas

Foi preso preventivamente. Conforme a investigação, teria passado de comprador a revendedor de drogas, intermediando aquisições para terceiros e buscando fornecedores no Paraguai. Também teria realizado a comercialização de entorpecentes na própria residência e utilizado o veículo do pai e contas de terceiros para realizar pagamentos.

Marcelo Botelho Reis — preso com arma de fogo

Foi preso em flagrante com uma arma de fogo. A investigação aponta indícios de que ele adquiria drogas para revenda. Segundo a Polícia Civil, movimentou mais de R$ 46 mil com Erik e possui histórico criminal, incluindo prisões anteriores relacionadas à tentativa de aquisição de “heroína caipira”.

Tyago de Assis Conceição — preso no sistema prisional de Sergipe

Já estava custodiado em Sergipe quando o mandado da Operação Iceberg foi cumprido. É apontado como fornecedor de drogas. Segundo a investigação, apresentava movimentação financeira considerada incompatível com a atividade investigada e tinha o CPF vinculado à empresa “Xalove Mouse”, considerada inapta desde 2022. Ele também é alvo da Operação ZIMMER, que investiga o tráfico de drogas.

Guilherme Rodrigues de Oliveira — suspeita de lavagem de dinheiro

Foi preso preventivamente. É apontado como sócio único da empresa Metalnor, também identificada como “Gold Auto Peças”. Segundo a investigação, apresentou a maior movimentação financeira individual entre os investigados, de R$ 281.715,40. As diligências apontaram que a empresa seria de fachada e não manteria atividade real desde 2023. Até o momento, segundo a investigação, não foi identificado vínculo direto dele com a comercialização de drogas.

Camila Ingrid Dourado Bezerra — presa com drogas

Foi presa em flagrante após a localização de grande quantidade de drogas em sua residência. Ela é namorada de Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes, também preso durante a operação.

Robson Siqueira Reis — cumprimento de mandado

Foi alvo de mandado de prisão cumprido durante a Operação Iceberg. A Polícia Civil o incluiu entre os 11 presos na ação, que investiga a estrutura de distribuição e lavagem de dinheiro relacionada ao tráfico de drogas.

Operação

A investigação financeira apontou que o principal suspeito movimentou mais de R$ 9,6 milhões ao longo de cinco anos, por meio de mais de 16,6 mil transações bancárias.

Segundo a apuração, empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas eram utilizadas para movimentar os valores. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.

Em Vitória da Conquista, um dos suspeitos apontados como liderança regional recebia drogas em Salvador e fazia a distribuição dos entorpecentes no município e em cidades próximas.

De acordo com a investigação, parte das drogas era escondida em potes de cremes estéticos e enviada em ônibus comerciais, camuflada como cosméticos. Entre os entorpecentes distribuídos estava a modalidade conhecida como ICE, recebida em Salvador e posteriormente redistribuída no sudoeste baiano.

Em Santo Antônio de Jesus, outro investigado, que já era conhecido por envolvimento com o comércio de drogas na região, buscava os entorpecentes em Salvador e abastecia o município e cidades vizinhas.

Durante a operação, os policiais apreenderam porções de entorpecentes de alto valor comercial, celulares e documentos. O material será analisado para identificar possíveis novos envolvidos, fornecedores e informações sobre a movimentação financeira do grupo.

Uma pistola foi encontrada com um médico investigado, que acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele está entre as duas pessoas presas em flagrante durante a operação.

As medidas patrimoniais determinadas pela Justiça também alcançaram oito veículos e uma motocicleta relacionados aos investigados.

Entre os veículos estão modelos como Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass e Chevrolet Tracker, além de uma Honda NXR 160 Bros.

Segundo a tabela FIPE, o conjunto dos veículos está avaliado em mais de R$ 1,1 milhão.

A investigação apontou que o grupo utilizava principalmente as redes sociais para negociar os entorpecentes. Os pedidos eram feitos por meio de mensagens privadas, enquanto os pagamentos ocorriam, principalmente, via PIX.

As drogas eram entregues de maneira discreta e tinham como público médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo. Entre os produtos comercializados estavam entorpecentes divulgados com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA.

Ainda segundo a apuração, os investigados mantinham um padrão de vida elevado, com imóveis de alto padrão e veículos de luxo. Empresas e contas bancárias de familiares ou terceiros também teriam sido utilizadas para ocultar recursos.

A Operação Iceberg teve origem a partir de informações obtidas durante a Operação Gênesis, conduzida pelo DHPP. Durante a investigação, os policiais analisaram um perfil em uma rede social e encontraram indícios de comercialização de drogas.

A partir desses dados, foi iniciada uma nova linha de apuração, que levou à identificação da estrutura de fornecedores, distribuidores e responsáveis pela movimentação financeira investigada na Operação Iceberg.

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