Por que seu cachorro te segue pela casa? Veja o que diz a ciência

O hábito dos cães de seguir os tutores dentro de casa, interpretado como demonstração de afeto, pode refletir angústia e falta de segurança

Por Bruna Castelo Branco.

O hábito dos cães de seguir os tutores dentro de casa, muitas vezes interpretado como demonstração de afeto, pode refletir angústia e falta de segurança, alertam especialistas em comportamento animal.

Segundo a bióloga Luiza Cervenka, da Petlove, "o comportamento de seguir é natural para o cão. Isso porque ele é um animal gregário, que vive em grupo. O mais comum é que animais sociais andem todos juntos, como uma forma de minimizar a possibilidade de serem predados. Há diversas outras vantagens para se viver em grupo, como aumento de chance de alimentos, de parceiro para acasalamento e manutenção da temperatura".

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Em casa, os cães poderiam se afastar dos humanos para atividades cotidianas. | Foto: Ilustrativa/Pexels

A convivência com humanos não mudou esse hábito, mas originalmente o comportamento ocorria principalmente quando houvesse deslocamento para caça, busca por água. Em casa, os cães poderiam se afastar dos humanos para atividades cotidianas, como brincar, fazer suas necessidades ou cheirar o ambiente.

Atualmente, no entanto, muitos cães não se sentem seguros nem por alguns metros de distância. "O grande problema é que hoje, mesmo convivendo em casas pequenas, o cão não se sente seguro para ficar na sala enquanto o tutor vai até a cozinha pegar um copo de água. Se vai ao banheiro e fecha a porta, então, acaba o mundo", alerta a bióloga, que classifica o comportamento como "excesso de dependência e a falta de segurança e autoconfiança".

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Muitos cães não se sentem seguros nem por alguns metros de distância. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Embora possa parecer um sinal de afeto, especialistas afirmam que o apego excessivo é motivado por angústia. Entre os fatores citados por Cervenka estão:

  • Carência do tutor: Não podemos ver o cachorro quietinho na caminha dele, que já chamamos, mandamos beijinho, fazemos carinho. Isso ensina ao cão que ele não deve ficar sozinho, que o certo é ficar grudado em nós.

  • Uso de broncas e punições: Essa incerteza gera angústia e ansiedade. Como consequência, a única forma de tentar prever melhor o que pode acontecer, é ficar sempre de olho em cada passo do tutor.

  • Falta de rotina: Ao saber o horário que você sai, que você chega, a refeição ser oferecida sempre no mesmo momento, o treino na mesma hora do dia e o passeio também, ele saberá antecipar e ficará mais relaxado, sem precisar te seguir para entender o que vem depois.

  • Incoerência em casa: Tudo na vida do cão depende da previsibilidade do ambiente. Se ele quer seu carinho, mas tem dias que você dá, outros dias você ignora, e ainda tem outros que você briga, ele ficará inseguro, dependendo cada vez mais da sua presença.

  • Falta de atividades individuais: Quando não ensinamos o cão a ter atividades sozinho, ele passa a depender única e exclusivamente de nós para conseguir brincar, relaxar, roer e executar outros comportamentos naturais.

  • Ausência de local seguro: Se o cachorro não tiver uma caminha ou uma casinha onde ele possa relaxar, ele provavelmente irá buscar o sofá ou a cama do tutor para isso.

Embora possa parecer um sinal de afeto, especialistas afirmam que o apego excessivo é motivado por angústia. | Foto: Ilustrativa/Pexels

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