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Vendedora cria ‘kit preso’ para atender familiares de detidos em Salvador

O 'kit preso' foi criado por Renilda dos Santos após sugestões de advogados criminalistas

Por Nilson Marinho.

A comerciante Renilda dos Santos, de 53 anos, trabalha há cerca de quatro anos vendendo os mais variados lanches em frente ao Complexo Policial dos Barris, em Salvador. Ali, na sua barraca, que fica no canteiro central da Avenida Vale dos Barris, atende os mais variados públicos, de moradores a policiais civis e militares, advogados e delegados e os familiares daqueles que são presos em flagrante e que são levados às unidades policiais. 

Nilson Marinho/Aratu On

Recentemente, passou a expor outros produtos que não fossem os quitutes, um kit preparado especialmente para aqueles que infringiram a lei e que precisam passar um dia inteiro detido à espera da audiência de custódia, o “kit preso”. No pacotinho que custa R$ 25 é oferecido um desodorante, um sabonete, um rolo de papel higiênico, um creme dental e uma escova de dente.

Em dias de maior movimento, quando o número de prisões em flagrantes é elevado, Renilda chega a vender até 20 desses kits. Os perfis dos clientes são os mesmos: advogados dos detidos e seus familiares, sobretudo as mães que vão ao Complexo acompanhar o caso dos filhos. 

Nilson Marinho/Aratu On

A ideia de criar o “kit preso” surgiu a partir de sugestões de clientes advogados. Renilda abraçou a proposta e passou a montar os pacotes com produtos básicos de higiene pessoal. “Com a sugestão dos meus clientes maravilhosos, busquei o melhor, que foi esse kit que ajuda na higiene dos presos. É uma ação que beneficia a todos, porque temos que abraçar e dar o ombro amigo a todos. As pessoas que estão lá dentro também são sobreviventes. Quem não errou que atire a primeira pedra”, afirmou.

Rotina

A rotina de Renilda começa quando a maior parte da cidade ainda está dormindo. Às 2h, ela já está na cozinha, preparando os alimentos que começam a ser vendidos às 8h, além de montar os kits. A jornada só termina por volta das 19h. Ela trabalha todos os dias da semana, sem folgas.

Aos sábados, o cardápio ganha feijoada, que faz questão de frisar ser preparada com carne moqueada. Aos domingos, é dia de churrasco. Para dar conta da demanda, Renilda conta com a ajuda de duas funcionárias e do marido, que assume a barraca quando o cansaço aperta e ela precisa de uma pausa.

Nilson Marinho/Aratu On

Ombro amigo

Mas a atuação de Renilda vai além do comércio. Ao longo dos anos, ela também passou a oferecer apoio emocional e ajuda a familiares que chegam ao Complexo Policial dos Barris abalados com a prisão de parentes. Com conhecimentos adquiridos durante um curso de técnica de enfermagem que não chegou a concluir, a comerciante conta que já socorreu pessoas que desmaiaram ou apresentaram outros problemas de saúde diante da notícia ou da situação de um familiar detido.

Em meio à angústia da espera por notícias, a comerciante também tenta ser, além de uma vendedora, um ombro amigo para quem enfrenta um dos momentos mais difíceis da vida. “As pessoas chegam aqui muito debilitadas, principalmente as mães. É doloroso. Eu estou aqui e acolho muitas delas, dou meu ombro e uma palavra de conforto para mães, tias e até pais”, completou.

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