Cidadania

Quem vai construir a sociedade?

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
Quem vai construir a sociedade?

Éramos ainda uma colônia. Não tínhamos a tecnologia de hoje, o saneamento era precário, o acesso à água era difícil e a comunicação levava meses. As distâncias eram enormes e os recursos, muito limitados.

Mesmo assim, naquela época, os empresários, todos chamados de comerciantes, independentemente da atividade, compreenderam uma coisa fundamental: era preciso se unir e se organizar para ajudar a construir a sociedade em que viviam e produziam.

Foi assim que participaram da criação e do fortalecimento de instituições e iniciativas nas mais diversas áreas: educação, geografia, justiça, segurança, contabilidade. Em uma sociedade com tão poucos recursos, aqueles homens perceberam a necessidade da união para enfrentar problemas que não eram apenas individuais.

Isso aconteceu há 215 anos.

Hoje, não somos mais uma colônia. Temos tecnologia, informação instantânea, infraestrutura e instituições consolidadas. Pagamos impostos e, justamente por isso, muitas vezes surge uma ideia perigosa: a de que construir a sociedade é responsabilidade apenas do Estado.

Será?

Porque pagamos impostos, deixamos de ter responsabilidade sobre a sociedade em que vivemos? Não precisamos mais nos importar com o nosso ecossistema, com nossas cidades, com nossas instituições e com o ambiente em que produzimos e trabalhamos?

Precisamos amadurecer a nossa consciência cidadã e pensar sobre isso.

Não podemos simplesmente transferir a nossa responsabilidade. Precisamos participar, nos organizar e apoiar os nossos representantes legítimos, escolhidos por nós, para que defendam as pautas dos setores que representam.

Há 215 anos, os comerciantes também tinham interesses concretos. Precisavam produzir, negociar, enfrentar dificuldades e estabelecer relações comerciais com outros países. Eles se organizaram porque compreenderam que, isoladamente, seria muito mais difícil avançar.

Hoje, essa necessidade é ainda maior.

Vivemos em um mundo globalizado, com concorrência cada vez mais intensa, tecnologia, informação em tempo real e transformações que acontecem numa velocidade impressionante. Se antes a união já era necessária, imagine agora.

Por isso, fica a provocação: não vamos transferir a nossa responsabilidade. Vamos participar, fortalecer nossas instituições, apoiar quem legitimamente nos representa e contribuir para construir a nação em que queremos viver.

Mais do que nunca, precisamos convergir forças. Juntos.

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Paulo Cavalcanti

Paulo Cavalcanti

Empresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia

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