Combustíveis devem ter nova alta nesta quarta-feira na Bahia
Representante aponta que combustíveis devem ter nova alta nesta quarta-feira na Bahia, pressionando o bolso do consumidor baiano
Por João Tramm.

Os combustíveis devem ter nova alta na Bahia a partir desta quinta-feira (data), com reajuste previsto para ser anunciado ainda nesta quarta (data), seguindo a política semanal de preços da refinaria. A informação foi confirmada pelo presidente do Sindcombustíveis-BA, Glauco Mendes, em entrevista ao Aratu On, que também alertou para o risco de desabastecimento no estado.
A precificação dos combustíveis é definida semanalmente pela refinaria, sempre nas noites de quarta-feira, com os novos valores passando a valer a partir das 0h de quinta. Esse modelo é adotado desde a aquisição da refinaria pela Acelen. Em meio ao conflito no Oriente Médio, a empresa já realizou sucessivos reajustes, o que levou o Procon-BA a notificá-la para prestar esclarecimentos sobre os aumentos.
Nesta terça-feira (24), motociclistas realizaram manifestação em Salvador pela redução no preço da gasolina e queda no ICMS que incide nos combustíveis.
Combustíveis devem ter nova alta na Bahia
De acordo com o presidente do sindicato, o cenário internacional tem influência direta nos reajustes. Ele avalia que a instabilidade geopolítica, especialmente no Oriente Médio, deve provocar nova alta nos combustíveis.
“Acredito que nesta quinta vai ter novo aumento. Com a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a guerra teria alguns dias de paralisação, o barril do petróleo chegou a cair. Mas, como Israel seguiu atacando o Irã, vamos ter novo aumento”, afirmou.
Mendes também criticou a fala de Lula de recomprar a refinaria, hoje na gestão da Acelen. Para ele, a discussão sobre recompra não resolve o problema imediato. “O presidente da República fala em recomprar a refinaria. Isso pode acontecer, mas só depois de 2029, por questões contratuais. E a gente não pode esperar até lá, temos que ter medidas urgentes”, disse.
Desabastecimento
Além do aumento nos preços, o presidente do Sindcombustíveis-BA alertou para o risco de falta de combustíveis no estado. Segundo ele, o problema já começa a aparecer em outras regiões do país.
“Do jeito que estamos caminhando, vai faltar produto na Bahia. Já está acontecendo em outros estados. O Rio Grande do Sul já tem em torno de 140 cidades com esse problema”, pontuou.
Ele explicou que o Brasil não é autossuficiente na produção de diesel refinado, dependendo de importações para atender à demanda interna.
“O Brasil precisa de 25% a 30% do diesel refinado. Nós compramos lá fora. E, com os preços altos, importadores e distribuidoras não estão comprando. Cerca de 60% dos importadores reduziram ou suspenderam as aquisições, com receio de não conseguir vender no Brasil”, afirmou.
Segundo Mendes, esse cenário pode levar à escassez: “Eles não vão comprar mais caro internacionalmente para vender mais barato aqui. É uma commodity que o mundo todo está procurando”.
Redução dos impostos nos combustíveis
Desde o início do mês, os combustíveis já acumulam altas consecutivas. Segundo Mendes, do dia 4 até hoje foram quatro aumentos seguidos, com R$ 1,38 na gasolina e R$ 2,37 no diesel.
O governo federal adotou medidas para tentar reduzir o impacto, como a retirada de tributos. “A grosso modo, isso representa uma redução de R$ 0,32. Mas, diante de um aumento de R$ 2,37, isso é muito pouco”, avaliou.
Apesar das críticas por ainda não ter zerado o ICMS, Mendes reconheceu uma medida recente do governo baiano. “Hoje a gente aplaude o governo do estado da Bahia por ter suspendido, por meio de decreto, o aumento do ICMS no etanol. O reajuste foi adiado para junho. Agora pedimos que zere o ICMS”, disse.
Ele admitiu que a decisão de zerar o ICMS dos combustíveis envolve uma renúncia fiscal, mas defendeu a ação emergencial. “Sei que não é fácil, o governador terá que abrir mão de receita. Mas, em um momento de crise, todo mundo tem que contribuir”.
O setor aguarda agora uma possível ação do governo estadual. “Estamos no aguardo do governo da Bahia retirar o ICMS da gasolina e do diesel. Só no diesel isso representaria uma queda de R$ 1,17”, afirmou.
Ele ressaltou, no entanto, que ainda não houve sinalização concreta por parte do estado, mesmo com a possibilidade de compensação parcial por parte da União.
O presidente do Sindcombustíveis também rebateu a percepção de que os postos são responsáveis pelos aumentos. “Sempre apontam os postos como vilões. Não só na Bahia. Mas todo mundo sabe que a origem desse aumento é a guerra”, afirmou.
Sobre a possibilidade de redução de impostos não ser repassada ao consumidor, ele foi direto: “Primeiro tem que acontecer, para depois ver se os postos vão retirar. Se por ventura algum posto não baixar, os órgãos de fiscalização estão aí”.

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