Sindicombustíveis nega que postos sejam responsáveis pelos reajustes na Bahia

Pressão internacional seria o causador: Sindicombustíveis nega que postos sejam responsáveis pelos reajustes na Bahia

Por João Tramm.

Em meio ao cenário de tensão no setor de transportes e à publicação da Medida Provisória que trata do frete rodoviário, o aumento no preço dos combustíveis surge como mais um fator de preocupação para caminhoneiros e consumidores na Bahia. Sindicombustíveis nega que postos sejam responsáveis pelos reajustes.

De acordo com o Sindicombustíveis Bahia, a alta recente nos valores está diretamente ligada ao contexto internacional, especialmente os impactos do conflito no Oriente Médio. A instabilidade na região fez com que o barril de petróleo ultrapassasse a marca de US$ 115, refletindo nos preços praticados no Brasil.

No estado, o impacto é ainda mais sensível porque o abastecimento depende da Refinaria de Mataripe, administrada pela Acelen, que adota como base a Paridade de Preço Internacional (PPI) para definir os valores dos combustíveis. 

Desde o início da crise externa, houve aumentos significativos nos repasses às distribuidoras: o diesel acumulou alta de R$ 2,38, enquanto a gasolina subiu R$ 1,39. Diante da alta, nos últimos dias, o Procon-Ba está realizando fiscalizações para entender se há abusos nestas cobranças. A superintendência ainda notificou a Acelen para explicar os aumentos.

Foto: Divulgação/ Ascom SJDH

Sindicombustíveis nega que postos sejam responsáveis pelos reajustes na Bahia

O sindicato destaca que o momento exige cautela na análise das causas da alta e faz um alerta às autoridades. Segundo a entidade, o problema não pode ser resolvido apenas com medidas internas.

"Os postos, vale destacar, são os agentes com menor influência na formação do preço final ao consumidor. Sua atuação se limita ao repasse dos valores praticados pelas distribuidoras. Não são, portanto, responsáveis pela definição dos aumentos. Quando adquirem o produto por um preço mais elevado, inevitavelmente precisam vendê-lo mais caro", defende a nota enviada ao Aratu On.

Segundo a entidade, os postos não têm autonomia para estabelecer os valores ao consumidor final.

"Diante desse cenário, é fundamental que as autoridades compreendam que fatores geopolíticos dessa magnitude, que afetam diretamente regiões produtoras de petróleo, possuem impacto global. Trata-se de uma situação complexa, que não pode ser solucionada apenas por meio de decretos, medidas provisórias ou intensificação da fiscalização nos postos revendedores", acrescenta.

A declaração dialoga diretamente com a recente Medida Provisória (MP) publicada pelo governo federal, que endurece a fiscalização no setor de transporte de cargas. Embora considerada um avanço pelos caminhoneiros, a MP não atinge diretamente as causas da alta dos combustíveis.

Com a Medida, a categoria que vinha agindo, inclusive com manifestação nas proximidades de Salvador, recua e afastou, por hora, possibilidade de greve dos caminhoneiros. Segundo o líder do grupo, conhecido como Chorão, a categoria buscará por negociação de emendas durante a tramitação da MP no Congresso Nacional.

Como antecipado pelo Aratu On, a noite da quinta-feira (19) seria fundamental para categoria decidir pela adesão completa ou não. A última greve dos caminhoneiros aconteceu em em maio de 2018, gerando um impacto estimado de R$15 bilhões na economia brasileira.

Falta de combustíveis

Além do encarecimento, o setor também enfrenta dificuldades no fornecimento, o que ajuda a explicar relatos de falta de combustível em algumas regiões — situação mencionada por representantes da categoria.

O sindicato aponta que o conflito no Oriente Médio tem impacto direto na oferta de diesel, reduzindo a disponibilidade e encarecendo a importação. Atualmente, cerca de um quarto do abastecimento nacional depende de produtos vindos do exterior.

Outro efeito colateral envolve o crédito dos postos junto às distribuidoras. Com os preços mais altos, muitos revendedores estão encontrando dificuldades para manter o volume de compras habitual, já que os custos passaram a ultrapassar os limites financeiros previamente estabelecidos.

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