Paralisação dos professores:como fica o funcionamento das escolas particulares na Bahia
O ato ocorre por conta da falta de consenso na Campanha Salarial entre a categoria e o sindicato patronal, que representa os donos de escolas
Por Victor Souza.
Os professores da rede particular da Bahia aprovaram uma paralisação de 24 horas, nesta terça-feira (9), em todo o estado. O ato ocorre por conta da falta de consenso na Campanha Salarial entre a categoria e o sindicato patronal, que representa os donos de escolas.

Em meio ao anúncio do protesto e a possibilidade de greve, uma das principais dúvidas de alunos e pais é sobre o funcionamento dos colégios durante essa terça. Em entrevista ao Aratu ON, o presidente do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro), Allysson Mustafa, revelou que embora a adesão dependa de cada profissional, a orientação do sindicato é para que nenhum professor compareça às salas de aula.
Questionado se as escolas funcionarão de forma parcial, o porta-voz do grupo disse à reportagem que deve haver uma suspensão total das atividades dos professores ao longo desta terça e que caberá a cada colégio decidir se abrirá os portões ou emitirá comunicados às famílias.
“A paralisação é a suspensão das atividades. Se as escolas vão abrir ou se vão dizer à família que está tudo normal é um problema dessas instituições. Mas a paralisação é uma suspensão de atividades, assim como a greve. Essa paralisação vai ocorrer somente dia 9. Dia 10 a gente está no colégio novamente. Mas se lá na frente a categoria entender que deve haver greve, as atividades estarão suspensas por tempo indeterminado”, apontou.
O líder do sindicato disse que se a categoria optar por evoluir do estado de alerta para a greve geral nos próximos dias, a suspensão será por tempo indeterminado e total, rejeitando o modelo de funcionamento por porcentagem de contingente, indicada para algumas classes consideradas como “serviço essencial”.
“Se houver greve é paralisação total, não terá nenhuma porcentagem de professor trabalhando”, disse.
Diante da possibilidade de greve, o grupo se reuniu novamente com empresários na noite desta segunda-feira (8). No entanto, as propostas ofertadas só devem ser divulgadas para a categoria durante assembleia nesta terça.
“A paralisação foi uma decisão da assembleia ocorrida na última segunda-feira, por conta do não avanço nas negociações dos patrões. Além de não aceitar nenhuma das propostas que a gente está fazendo, eles ainda estão fazendo uma contraproposta que busca reduzir direitos que nós já temos, como, por exemplo, o direito à bolsa de estudos para filhos de professor na escola, que eles querem reduzir”, afirmou ao site.
Reivindicação dos professores
O Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA) indicou que os trabalhadores afirmam que enfrentam sobrecarga de trabalho e realizam diversas atividades sem remuneração adequada.
A categoria busca garantir melhores condições de trabalho e ampliar direitos. “Temos trabalhado exaustivamente e boa parte desse trabalho é realizada sem recebimento. Estamos lutando por mais valorização e melhores condições para os professores”, afirmou.
Além da falta de avanços nas negociações, os docentes demonstram preocupação com propostas apresentadas pelas instituições de ensino. Segundo Mustafa, o setor patronal discute a possibilidade de reduzir benefícios já conquistados pela categoria, como o período de recesso e a concessão de bolsas de estudo para filhos de professores.
Em nota, o Sinpro-BA informou que, durante a rodada de negociação realizada em 27 de maio, os representantes das escolas particulares rejeitaram as propostas apresentadas pelo sindicato. Entre as reivindicações negadas estão o reajuste salarial, a qualificação do piso da categoria, a ampliação do recesso e a regulamentação, com remuneração específica, das atividades e avaliações exigidas pelas instituições de ensino. A entidade também critica o que classifica como excesso de trabalho não remunerado, incluindo tarefas administrativas, elaboração e correção de avaliações e outras demandas realizadas fora da jornada regular.
A assembleia desta terça será realizada de forma presencial na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente da Bahia (Sindae), localizada na Rua General Labatut, nº 65, no bairro dos Barris, em Salvador. Também haverá participação virtual por meio de link disponibilizado pelo sindicato.
A primeira convocação está prevista para as 8h, com segunda convocação às 8h30. Segundo o Sinpro-BA, a paralisação das atividades foi definida para garantir a participação dos professores no encontro.

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