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Prédio abandonado da UFBA é usado como depósito e vira alvo de investigação; veja fotos

Espaço inacabado há mais de dez anos, na Federação, é utilizado para armazenar materiais e objetos da universidade; obra que receberia R$ 35 milhões do Novo PAC é investigada pelo MPF

Por Victor Hernandes.

O que deveria ser um espaço de aprendizados e ensinos, se tornou um local de abandono, insegurança e poluições visuais. Essa é a realidade do prédio anexo da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro da Federação em Salvador.

Espaço inacabado há mais de dez anos, na Federação, é utilizado para armazenar materiais e objetos. | Foto: Victor Hernandez/Aratu On

Abandonado há mais de dez anos, o local se tornou um espaço sem definição e objetivo na instituição. Na teoria, o prédio serviria como um anexo para os cursos da Escola Politécnica na universidade, com salas de aula e laboratórios. No entanto, na prática, a obra anunciada desde 2016 não avançou e está inacabada.

O tema voltou a ser discutido nesta quinta-feira (13), após o Ministério Público Federal (MPF) iniciar uma investigação contra a UFBA para apurar possíveis atos ilícitos na administração de recursos públicos relacionados a obra.

A medida anunciada pelo órgão vai apurar os R$ 35 milhões oriundos do programa federal "Novo PAC Universidades", que deveriam financiar a finalização do local.

Prédio abandonado da UFBA é usado para armazenar materiais

Após a decisão, o Aratu On esteve no local para saber mais detalhes acerca do abandono. Segundo informações obtidas pela reportagem, o prédio anexo estaria sendo utilizado para abrigar materiais descartáveis. Conforme apurado pelo site no local, o prédio anexo ainda estaria servindo para armazenar objetos tombados que pertencem a entidade de ensino e que não podem ser doados.

A reportagem encontrou a área com matagais ao redor, pichações e obras inadequadas. Além disso, é possível ver que parte do local não possui telas de seguranças, revestimentos, telhas e tijolos.

Uma estudante que preferiram não se identificar por medo de represálias na instituição de ensino, ressaltou sobre a insegurança e o risco de assaltos no trajeto (escadaria da Politécnica entre os campos de Ondina e Federação), por conta da não continuidade da obra. Em conversa com o portal, estudantes indicaram que caso o equipamento estivesse funcionando, a movimentação no prédio poderia trazer mais conforto e proteção.

“Utilizo a escada da Politécnica para subir e passar por espaço e é meio inseguro, às vezes tem assalto, essas coisas. E a questão do prédio, se tivesse mais movimentação por ali, talvez intimidasse ou até deixasse uma sensação assim mais de conforto mesmo para gente subir e descer e saber”, disse.

A discente também observou que o abandono prejudica a comunidade acadêmica, pois o espaço poderia ser aproveitado para atividades culturais, eventos, auditórios e salas de aula mais modernas.

“Esse abandono prejudica porque a gente poderia ter outros espaços culturais para ter eventos, ter outros auditórios, outras salas mais modernas ou algo relacionado”, afirmou.

Outro estudante que frequenta o local há 2 anos criticou o potencial desperdiçado do imóvel, situado ao lado da estrutura principal da Politécnica. Ele mencionou que a área poderia abrigar diversas atividades acadêmicas, de extensão ou complementares.

Ele comentou ainda a respeito de informações de que a estrutura faria parte do projeto da "Nova Politécnica". No entanto, o projeto nunca saiu do papel e não há motivos oficiais para o abandono do local.

“O principal problema é o potencial desperdiçado, pois ele fica aqui bem do lado desse prédio grande que é a Politécnica, que abriga muitos cursos. Ele tem justamente um potencial de ser algo que abrigue muitas atividades, seja de extensão, complementares que a gente tem aqui na UFBA, mas acaba não tendo essa função”, disse também de forma anônima.

“Só escutei falar que seria uma nova Politécnica, um projeto que já tem um tempinho, que falam vai sair, mas nunca foi concluído”, completou.

A UFBA foi procurada para prestar esclarecimentos sobre o abandono do edifício, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação desta matéria.

Veja fotos do local atualmente:

O tema voltou a ser discutido nesta quinta-feira (13), após o Ministério Público Federal (MPF) iniciar uma investigação contra a UFBA. | Foto: Victor Hernandez/Aratu On

A reportagem encontrou a área com matagais ao redor, pichações e obras inadequadas. | Foto: Victor Hernandez/Aratu On

É possível ver que parte do local não possui telas de seguranças, revestimentos, telhas e tijolos. | Foto: Victor Hernandez/Aratu On

Foto: Victor Hernandez/Aratu On

Abandonado há mais de dez anos, o local se tornou um espaço sem definição e objetivo na instituição. | Foto: Victor Hernandez/Aratu On

UFBA é alvo de outra investigação e polêmica

O caso envolvendo o espaço abandonado chega após a Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) ser alvo de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) por supostas irregularidades nos processos seletivos da pós-graduação. O inquérito civil foi instaurado para apurar possíveis falhas ocorridas entre os anos de 2023 e 2024.

A portaria, obtida pelo Aratu On determina a coleta de provas e o encaminhamento do caso ao núcleo cível competente. Segundo o documento, a apuração busca verificar se os atos administrativos relacionados aos processos seletivos respeitaram os princípios previstos na Constituição Federal.

De acordo com a decisão, a UFBA deverá ser oficialmente comunicada sobre a instauração do inquérito. O procurador também fixou prazo de 60 dias para que, após o cumprimento das diligências ou o término desse período, os autos retornem para nova análise.

A investigação teve origem em uma denúncia que aponta possíveis irregularidades nos processos seletivos da pós-graduação da Faculdade de Direito nos anos de 2023 e 2024. O documento ainda determina a reiteração de um ofício anteriormente encaminhado à universidade para dar continuidade à coleta de informações.

O inquérito civil é um procedimento utilizado pelo Ministério Público para reunir elementos antes de eventual adoção de medidas judiciais ou extrajudiciais. Nesta fase, não há conclusão sobre a existência de irregularidades, mas sim a apuração dos fatos apresentados na denúncia.

Até o momento, o documento não detalha quais seriam as supostas falhas verificadas nos processos seletivos. Além disso, a UFBA ainda esteve no centro de polêmicas em fevereiro deste ano, quando formandos de Direito relataram prejuízos profissionais em decorrência da falta de colação de grau.

Além disso, na época, a possibilidade da apresentação de um atestado serviu como possibilidade de que a universidade não prejudicasse mais ainda a formatura dos discentes.

Portaria da Universidade Federal da Bahia. | Foto: Divulgação

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