Eleições 2026: Justiça nega transporte e alimentação para indígenas no Amazonas
Pedido previa apoio a moradores de 43 aldeias do Vale do Javari durante o segundo turno das eleições
Por Isabela Cardoso.
A Justiça Eleitoral do Amazonas negou um pedido de transporte fluvial gratuito, água e alimentação para indígenas de 43 aldeias da Terra Indígena Vale do Javari durante o segundo turno das eleições. A solicitação foi apresentada pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que alertou para o risco de dificuldades de acesso à votação.

Na decisão, a juíza Dálethe Borges Messias, titular da 42ª Zona Eleitoral do Amazonas, em Atalaia do Norte, reconheceu a relevância do pedido e o direito dos indígenas de votar em condições de igualdade.
No entanto, argumentou que a solicitação foi feita fora do prazo legal para organizar a operação e que a Justiça Eleitoral não dispõe de recursos para custear o transporte e a alimentação.
Univaja aponta alta abstenção no primeiro turno
Segundo a Univaja, nas eleições anteriores houve uma articulação entre a Justiça Eleitoral e a entidade para organizar a logística necessária à participação dos indígenas na votação. Neste ano, porém, a parceria não se repetiu.
A organização afirma que a falta desse apoio contribuiu para uma abstenção de aproximadamente 30% a 35% entre os indígenas no primeiro turno. A negativa do novo pedido gerou preocupação sobre as condições de participação dos moradores das aldeias no segundo turno.
A Univaja defendeu que garantir o direito ao voto dos povos indígenas é uma responsabilidade do poder público.
Vale do Javari abriga mais de 6 mil indígenas
Localizada no Amazonas, na região de tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, a Terra Indígena Vale do Javari é a segunda maior do Brasil, com 8,5 milhões de hectares - área superior à do estado da Paraíba. Homologada em 2001, abriga 74 aldeias, sete povos indígenas e mais de 6 mil pessoas.

O território também reúne a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo.
A região é alvo de redes de narcotráfico, garimpo ilegal, biopirataria e extração ilícita de madeira, atividades associadas à pressão sobre o território e seus recursos naturais.
Região foi cenário de assassinatos em 2022
O Vale do Javari ganhou repercussão internacional em 2022, quando o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados após uma emboscada no rio Itaquaí.
Os dois atuavam na região, marcada por conflitos relacionados à proteção dos povos indígenas e à fiscalização de atividades ilegais.
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