Lazzo critica racismo e modismo na música baiana: 'O axé foi excludente'
Em entrevista ao videocast Aratu Tá On, o cantor Lazzo critica racismo e modismo na música baiana: 'O axé foi excludente'
Por João Tramm.
Durante participação no videocast Aratu Tá On, o cantor e compositor Lazzo Matumbi fez uma análise contundente sobre os rumos da música baiana, o surgimento da axé music e o espaço ocupado por artistas negros na indústria cultural. Lazzo critica racismo e modismo na música baiana: 'O axé foi excludente'.
Com mais de quatro décadas de carreira, Lazzo relembrou o período em que retornou a Salvador após morar em São Paulo e encontrou uma cena musical completamente diferente daquela impulsionada pelos blocos afros nos anos 1980.

Lazzo critica racismo e modismo na música baiana
O artista afirmou que o movimento que transformou Salvador em vitrine nacional da música popular também reproduziu mecanismos de exclusão racial. Segundo ele, o fortalecimento da axé music coincidiu com um processo de apagamento de artistas negros e de pautas ligadas à valorização da identidade afro-baiana.
O cantor argumentou que, enquanto os blocos afros promoviam debates sobre autoestima, cultura e questões raciais, a nova indústria do entretenimento passou a privilegiar outros perfis de artistas e produtos culturais. Na perspectiva dele, desde o surgimento do Axé Music, com canções como 'Fricote' e a referência à 'nega do cabelo duro', o movimento já possuía essa vertente.
Na entrevista, Lazzo afirmou que o sucesso comercial do axé não beneficiou igualmente todos os segmentos da música baiana. Para ele, muitos artistas negros perderam espaço justamente no momento em que elementos da cultura afro-baiana se tornavam rentáveis para o mercado.
"Os artistas negros são deixados de lado. Só é usada sua matriz, suas composições. Os blocos afros, que eram linha de frente, ficaram um pouco de lado", declarou.
Ao ampliar a discussão para além da axé music, Lazzo afirmou que o racismo continua operando de forma sutil dentro do mercado cultural brasileiro. O artista observou que gêneros de origem negra frequentemente ganham destaque nacional sem que artistas negros ocupem os espaços de maior visibilidade.
"Hoje o samba está em alta, mas quantos artistas de samba estão no topo? E, com todo respeito aos colegas, poucos são negros", afirmou.
Ele também citou a trajetória de Margareth Menezes como exemplo de uma artista negra que, apesar da relevância cultural, nem sempre recebeu o mesmo protagonismo destinado a outros nomes associados à axé music.
Crítica ao "modismo" no axé music
Outro ponto levantado por Lazzo foi o que chamou de modismo da indústria musical. O cantor contou que, nos anos 1990, enfrentou dificuldades para tocar suas músicas nas rádios por não se enquadrar no modelo que dominava o mercado naquele momento.
Ele afirmou que as gravadoras e emissoras estavam concentradas em um único produto musical, impulsionado principalmente pelo Carnaval, deixando pouco espaço para outras propostas artísticas.
"O modismo que estava rolando naquele momento era muito forte. Muitos dos meus colegas se dobraram ao modismo para querer ganhar dinheiro e ficar ricos. Só que a moda passa. Quando eu vi a moda passar, comecei a perceber que o meu trabalho era tido como cult. A moda passa, mas, se você tem consistência, você fica", avaliou.", disse.

Aratu Tá On
O produto, apresentado pelo jornalista João Tramm, acontece todas as quartas e sextas, às 14h, e é transmitido pelo Youtube do Aratu On. Em mais de trinta episódios, o videocast já recebeu outros representantes do pagode, dentre elas a cantora A Dama. No papo, a artista chocou a audiência ao revelar que não escuta do gênero que ela canta.
Outros grandes nomes já estiveram nos estúdios do Aratu Tá On, como os humoristas Alda e Leozito. No episódio, a dupla revelou bastidores e spoilers do novo programa deles, ‘De Frente com o Capitão’.
Antes disso, o Aratu Tá On recebeu o ÀTTØØXXÁ, quando o trio comentou temas como a saída do antigo vocalista e o novo ciclo que o grupo vive. O programa também contou com a presença do influenciador Thiago Luna, que comentou sobre a probabilidade do seu time, o Vitória, ser campeão brasileiro e da Copa do Nordeste.
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