Torcedores do Vitória entram na Justiça com pedido para torcida mista na final do Baiano

Alegando “desequilíbrio esportivo”, torcedores do Vitória entraram na Justiça com pedido para que haja torcida mista na final do Baiano

Por Lucas Pereira.

Após o Ministério Público da Bahia (MPBA) recusar o pedido feito pela presidência do clube, torcedores do Vitória entraram na Justiça com um pedido para que haja torcida mista na final do Campeonato Baiano, que acontece neste sábado (7), na Arena Fonte Nova. 

Torcedores do Vitória entram na Justiça com pedido para torcida mista na final do Baiano. Foto: Mauricia Da Matta/EC Vitória

A ação foi protocolada nesta quarta-feira (4) e distribuída para a Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). O documento, que foi obtido pelo canal Bar FC e que o Aratu On teve acesso, foi assinado por representantes das torcidas organizadas Caravana Rubro-Negra e Leão Chop, e pede que 10% da capacidade do estádio seja destinada a torcedores do time.

Dentre as justificativas para a solicitação, estão a manutenção da “liberdade de manifestação e o direito de ir e vir”, feridos com a recusa em ter as duas torcidas na partida em uma decisão “arbitrária e desproporcional”. Além disso, o documento diz: 

“O próprio Bahia já detém a prerrogativa esportiva de disputar a final em seu estádio, o que por si só já representa vantagem desportiva legítima decorrente de sua melhor campanha. Contudo, o regulamento do Campeonato Baiano prevê final em jogo único, circunstância que torna ainda mais sensível a questão da presença das torcidas.

“A imposição de torcida única, em final de jogo único, gera flagrante desequilíbrio esportivo, beneficiando exclusivamente o clube mandante, que contará com apoio integral da torcida, enquanto apenas torcedores do Vitória são excluídos.”

Questões de segurança para permitir o jogo

Na nota enviada pelo MPBA ao Aratu On sobre o tema, é dito que “a análise deve ser pautada por critérios técnicos, priorizando a integridade física dos torcedores, trabalhadores e demais envolvidos”. O tópico também é abordado na ação da torcida do Vitória, citando que episódios de brigas e violências entre torcidas fora dos arredores dos jogos não podem basear a decisão:

“Cumpre ressaltar que os torcedores do Esporte Clube Vitória não podem ser responsabilizados por episódios de violência urbana que ocorram em bairros distantes da cidade, completamente alheios à realização do clássico. Esses episódios ocorrem independentemente de torcida mista ou torcida única, não havendo qualquer correlação direta entre a presença da torcida visitante”.

Além disso, são citados os exemplos do Carnaval de Salvador, para comprovar a expertise e capacidade das forças de segurança baianas de lidar com o evento, bem como a semifinal da Copa do Brasil de 2025, entre Fluminense e Vasco, no Maracanã, que teve torcida mista dividindo igualitariamente a carga de ingressos e promovendo a “convivência pacífica e respeitosa entre os rivais”.

Quanto as torcidas organizadas envolvidas em problemas anteriores, o pedido lembra que elas já firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, comprometendo-se a adotar medidas de prevenção à violência e colaborar com as autoridades.

Como a partida está agendada para o dia 7, a ação tem caráter de urgência, até mesmo para que haja “tempo necessário para que todos os órgãos responsáveis possam se preparar, coordenar esforços e garantir a ordem, preservando a integridade física e a experiência esportiva de todos presentes”.

Vale lembrar que o último clássico com torcida mista foi o "BaVi da Paz", realizado em 2018.

Bamor x Os Imbatíveis: torcidas organizadas têm histórico de brigas

Três dias antes do Ba-Vi marcado para decidir o Campeonato Baiano 2026, neste sábado (4), a Polícia Civil escreveu, nesta quarta-feira (4), mais um capítulo na histórica rivalidade entre as principais torcidas organizadas de Bahia e Vitória: Bamor e Os Imbatíveis. 

A Operação Bandeira Branca, deflagrada na manhã desta quarta, prendeu sete membros da organizada tricolor e apreendeu outros três adolestentes. As detenções são fruto do processo de investigação sobre uma suposta tentativa de homicídio qualificado ocorrida em janeiro deste ano contra um torcedor do Vitória, filiado ao Os Imbatíveis, na Avenida São Rafael, em Salvador.

Os episódios de violência entre as maiores torcidas organizadas do estado, no entanto, não se restringem ao episódio registrado no dia 17 de janeiro, na Avenida São Rafael. São, ao menos, 21 anos de histórico de violência, morte e conflitos que culminaram, em 2017, com a proibição da presença das duas torcidas em estádios, ainda que os confrontos aconteçam, majoritariamente, longe dos mandos de campo e Bahia e Vitória.

Alegando “desequilíbrio esportivo”, torcedores do Vitória entraram na Justiça com pedido para que haja torcida mista na final do Baiano. Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

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