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Pai de santo acusado de queimar fiéis contesta denúncias e aponta disputa interna

Pai de santo nega ter queimado ou mantido fiéis em cárcere privado e afirma que acusações fazem parte de uma disputa dentro de entidade religiosa

Por Dinaldo dos Santos.

O pai de santo Luiz Nascimento dos Santos, conhecido como “Luiz Curador”, contestou as acusações de que teria utilizado ferro quente e charutos para queimar fiéis durante rituais religiosos em um terreiro de Araci, no nordeste da Bahia.

Em entrevista ao Aratu On, ele negou as agressões e afirmou que as denúncias estão relacionadas a uma disputa interna envolvendo dirigentes de uma entidade ligada às religiões de matriz africana.

Foto: Divulgação

As acusações vieram a público no final do mês de maio, quando o caso foi noticiado pelo Aratu On. Segundo as denúncias divulgadas à época, quatro pessoas teriam relatado episódios de queimaduras e outras supostas agressões durante rituais no terreiro. As vítimas também afirmaram ter sido mantidas em quartos escuros por períodos prolongados e com acesso limitado a condições básicas de higiene.

Por meio de seu advogado, Jonathan Fortun, o sacerdote pediu espaço para apresentar sua versão sobre os fatos. Durante a conversa, ele negou ter praticado tortura, afirmando que a Polícia Civil esteve no terreiro para verificar as instalações e, segundo ele, não encontrou evidências das irregularidades denunciadas.

“Isso nunca aconteceu. Pedimos para o pessoal da Polícia Civil ir no meu terreno tirar foto de tudo. Não foi constatado nada”, afirmou.

Pai de santo aponta disputa dentro de federação

Segundo Luiz, o conflito teria começado após divergências com integrantes da Federação de Cultos Afro-Brasileiros em Serrinha, à qual afirma ser filiado há 39 anos.

Ele relatou que ocupava uma função na entidade e teria sido pressionado a assinar documentos relacionados à emissão de alvarás para pessoas que, segundo sua avaliação, não teriam formação ou iniciação religiosa suficiente para exercer determinadas funções.

De acordo com o religioso, a recusa teria provocado uma reação de um integrante da entidade. Ele afirma ter ouvido que seu terreiro seria fechado.

“Ele disse: ‘Eu vou fazer de tudo para fechar o seu terreiro’”, relatou Luiz, atribuindo a declaração ao presidente da entidade, Michel Damasceno Barreto, mencionado por ele durante a entrevista.

O pai de santo também alegou que haveria cobrança de valores para emissão de alvarás religiosos e que sua oposição a esse procedimento teria motivado o conflito. Segundo ele, a questão não seria apenas financeira, mas envolveria a possibilidade de pessoas sem formação religiosa adequada a serem reconhecidas como sacerdotes.

Pai de santo contesta acusações e revela disputa interna. Foto: Reprodução

Acusado nega cárcere privado e queimaduras

Luiz também rejeitou especificamente as acusações de que pessoas teriam sido amarradas, queimadas com ferro quente ou mantidas em cárcere privado dentro do terreiro.

Ao ser questionado sobre as denúncias envolvendo supostas queimaduras, ele mencionou uma prática que chamou de “catulagem”, mas explicou que, em sua concepção, ela não seria realizada com ferro quente. “Não é com queimaduras. É com lâmina”, afirmou.

O religioso sustentou ainda que as imagens e relatos apresentados nas denúncias teriam sido utilizados fora de contexto para prejudicá-lo.

Supostas vítimas são contestadas

Durante a entrevista, Luiz também questionou a versão atribuída às pessoas que denunciaram os supostos abusos. Segundo ele, algumas delas teriam ligação antiga com o terreiro e trabalhado em uma loja mantida por ele.

O pai de santo afirmou ainda que teria recebido informações de que essas pessoas teriam sido pagas para produzir vídeos contra ele. A alegação, porém, foi apresentada pelo próprio acusado durante a entrevista e não foi acompanhada de provas apresentadas ao Aratu On.

Luiz também fez acusações contra o dirigente que, segundo ele, estaria envolvido no conflito. Entre as alegações, citou supostos registros de ocorrências policiais em diferentes municípios e questionou a atuação do dirigente em processos relacionados a outros terreiros.

Vítima afirmou que foi marcada com um charuto durante uma oferenda relacionada a Ogum. | Foto: TV Subaé

Acusações serão contestadas

Luiz informou que a contestação das acusações está sendo conduzida por sua defesa jurídica. Segundo ele, a advogada Isabela, citada durante a entrevista, possui documentos e informações que serão apresentados para sustentar a versão da defesa.

O religioso disse ainda que já foram registradas ocorrências policiais relacionadas ao conflito. Ele afirmou que outros pais de santo também teriam feito denúncias contra o dirigente que aponta como responsável pela disputa.

As acusações divulgadas originalmente, por sua vez, foram acompanhadas por relatos de supostas vítimas que passaram por exames periciais por lesão corporal. À época, entidades ligadas às religiões de matriz africana também repudiaram as práticas denunciadas e afirmaram que agressões físicas não fazem parte dos rituais religiosos.

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