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Dia do frevo: o que o ritmo pernambucano tem a ver com a invenção do trio elétrico?

Dia do frevo enaltece ritmo pernambucano que tem uma ligação pouco lembrada com a invenção que mudou para sempre o Carnaval da Bahia

Por Dinaldo dos Santos.

Em pleno setembro, quando o Carnaval ainda está distante, o Dia do frevo, comemorado neste 14 de setembro, oferece uma boa desculpa para voltar no tempo e entender uma das maiores invenções da folia baiana. O ritmo que nasceu em Pernambuco e se tornou símbolo do Carnaval do Recife também aparece em um capítulo decisivo da história do trio elétrico, criado em Salvador por Dodô e Osmar.

Dia do frevo enaltece Carnaval em pleno mês de setembro. Foto: Prefeitura de Olinda

A ligação começou no início dos anos 1950, quando uma apresentação da agremiação pernambucana Vassourinhas, em Salvador, chamou a atenção dos foliões e dos músicos baianos. A experiência ajudou a inspirar Dodô e Osmar a levar para as ruas uma nova forma de executar o frevo, utilizando instrumentos eletrificados.

O resultado seria muito maior do que uma adaptação musical. Em cima de um Ford 1929, a famosa Fobica, os dois colocaram em prática uma invenção que transformaria o Carnaval baiano e, posteriormente, influenciaria festas populares em todo o país.

Fobica foi o primeiro trio elétrico. Foto: Acervo | Armandinho Dodô e Osmar

Dia do frevo: ritmo foi parar no coração do trio elétrico

O episódio é curioso porque mostra que a história do trio elétrico não começou apenas com a eletrificação de instrumentos. Havia também uma busca por reproduzir, em Salvador, a força que o frevo provocava nas ruas.

Dodô, técnico em eletrônica, e Osmar Macedo, músico e inventor, desenvolveram equipamentos capazes de amplificar os instrumentos enquanto circulavam pela cidade. Em 1950, fizeram a primeira experiência pelas ruas de Salvador. No ano seguinte, com a entrada de Temístocles Aragão, surgiu o trio que daria origem ao nome pelo qual a invenção ficaria conhecida.

A influência pernambucana, portanto, não significa que o trio elétrico seja uma extensão do Carnaval de Recife. O que aconteceu foi justamente o contrário: a música e a energia do frevo encontraram em Salvador uma nova tecnologia e uma nova linguagem, que acabariam criando uma identidade própria. Dessa mistura nasceu o chamado frevo elétrico, uma das bases da sonoridade que marcou as primeiras décadas do trio.

Na década de 1980, o saudoso compositor baiano, Moraes Moreira, lançou um disco, no qual homenageou a passagem histórica do bloco pernambucano Vassourinhas por Salvador nos anos 1950, evento que inspirou a criação do trio elétrico por Dodô e Osmar.

Armandinho e a continuidade da invenção

Mais de duas décadas depois da primeira fobica, Armandinho Macêdo assumiria um papel central na continuidade dessa história. Filho de Osmar, ele passou a tocar com os irmãos e ajudou a transformar a guitarra baiana em uma das marcas da música carnavalesca de Salvador.

Em entrevista ao Aratu On publicada em 2 de março de 2025, durante o Carnaval que marcou as celebrações dos 75 anos do trio elétrico, Armandinho falou sobre a relação da família com a invenção do pai e de Dodô.

“Eu fui movido pela música e criado tendo como mestre o meu velho Osmar, por isso o orgulho e a satisfação são imensas.”

Na mesma entrevista, ele explicou como a criação familiar ultrapassou a própria invenção dos equipamentos e passou a influenciar gerações de músicos: “O trio elétrico é a grande escola de todos esses artistas que estão aí hoje.” As declarações foram dadas ao Aratu On justamente no contexto das comemorações relacionadas à história do trio.

Irmãos Macedo (Aroldo, Betinho, André e Armandinho). Foto: Divulgação

Dia do frevo: por que tem duas datas?

É aí que entra a curiosidade desta segunda-feira, 14 de setembro.

O Dia Nacional do Frevo é celebrado nesta data em homenagem ao nascimento do jornalista Oswaldo da Silva Almeida, em 14 de setembro de 1882. Ele é apontado como responsável por uma das primeiras utilizações do termo “frevo” e pela divulgação da expressão.

Mas quem pesquisa a história do ritmo também encontra outra data importante: 9 de fevereiro de 1907. Foi nesse dia que o termo “frevo” apareceu em um registro na imprensa do Recife, em uma publicação do Jornal Pequeno. Por isso, a data passou a ser tradicionalmente associada à celebração do ritmo em Pernambuco.

Não é, portanto, uma contradição. As duas datas fazem referência a momentos diferentes da história da palavra e da celebração do gênero. E há ainda um terceiro marco que dimensiona a importância do ritmo: em 2012, o frevo foi incluído pela Unesco na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

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