Música Clássica em Salvador tem espaço e 'OSBA é a prova disso', afirma maestro
Carlos Prazeres em entrevista ao Aratu On: Música Clássica em Salvador tem espaço e 'OSBA é a prova disso', afirma maestro
Por João Tramm.
Terra do axé, do samba-reggae e de uma diversidade sonora pulsante, a capital baiana também consolida, ano após ano, um espaço sólido para a música de concerto. Música Clássica em Salvador tem espaço e 'OSBA é a prova disso', afirma o maestro Carlos Prazeres.
Concertos cheios, projetos sociais e formação de novos músicos mostram que a música clássica em Salvador está longe de ser um nicho restrito — ela dialoga com diferentes públicos e gerações.

Salvador chegou a sediar também o 1º Fórum OSBA de Orquestras Sinfônicas – ‘Música de Concerto em Movimento’, no Teatro do Goethe-Institut, em 2025. A apresentação integrou a programação do mês em que a Orquestra completou 43 anos de sua fundação. O grupo ainda promove apresentações gratuitas com frequência, o que garante acessibilidade ao gênero.
Música Clássica em Salvador tem espaço e 'OSBA é a prova disso', afirma maestro
À frente da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), o maestro Carlos Prazeres defende que a presença da música clássica na capital baiana é natural dentro da pluralidade cultural do estado.
“Salvador é uma cidade que carrega o rótulo de cidade da música. Então, sendo assim, ela tem um manancial que abrange todo e qualquer tipo de música. E o público da OSBA, ele é a prova disso. Ele é a prova de que nesse caldeirão de culturas, que é a Bahia, culturas misturadas, a música clássica tem o seu lugar. Da mesma forma que tem o Axé, da mesma forma que tem o Jazz da Jean Numan, da mesma forma que tem a cúmbia com a Sonora Amaralina. Ou seja, a gente está muito confortável com relação a isso”, afirmou em entrevista ao Aratu On.
Para o maestro, a música clássica ocupa hoje um papel até mesmo “subversivo” em um mercado dominado pela lógica comercial e pelo consumo rápido.
“A música clássica hoje é uma música altamente subversiva, porque ela vai de encontro ao projeto comercial de que uma música precisa ter uma duração mínima para poder caber no rádio, para poder ser utilizada para veicular comerciais. Ela também subverte o estereótipo daquela música fácil que as pessoas cantam em dois minutos e, por conseguinte, vão adicionar no Spotify, ganhar milhões de seguidores e fazer o público.”
Segundo Prazeres, essa característica reforça a importância do investimento público na cultura.
“É justamente aí que entra a figura do Estado. Eu defendo tanto a presença do Estado com relação à música de concerto, aos museus, às artes plásticas, à dança, porque são artes que não são efêmeras, que continuam durante a vida toda e, para isso, precisam de suporte de uma instituição que não está necessariamente preocupada com os lucros, assim como visa o fomento neoliberal. Não que o fomento neoliberal não possa se juntar ao Estado para tornar as instituições de arte ainda mais fortes.”
“A Osba conversa com o Brasil justamente porque ela se representa como uma orquestra baiana e não uma orquestra que quer se adequar aos valores e moldes europeus como tantas que acontecem no Brasil.”
Dia Nacional da Música Clássica
A entrevista com o maestro ocorreu em 5 de março, data que marca o nascimento de Heitor Villa-Lobos, um dos maiores compositores brasileiros e símbolo da música de concerto no país. A data é celebrada como o Dia Nacional da Música Clássica.
Além da OSBA, Salvador e a Bahia contam com projetos que ampliam o acesso à música de concerto, como o Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba), que forma jovens músicos e promove inclusão social por meio da arte.
Escolas de música, universidades e projetos comunitários também desempenham papel fundamental na democratização do ensino musical, permitindo que crianças e adolescentes tenham contato com instrumentos e repertórios que antes eram vistos como distantes da realidade popular.
Projetos do gênero também são montados de forma sazonal. Salvador passou a receber apresentações da série internacional conhecida como Candlelight — concertos à luz de velas.
Reconhecida mundialmente por transformar patrimônios culturais e espaços históricos em cenários intimistas para apresentações musicais, a iniciativa desembarca na capital baiana com sessões realizadas, em geral, nas noites de domingo aqui de Salvador.
O repertório é diversificado: vai do erudito ao pop, incluindo releituras de clássicos da MPB. A proposta é aproximar diferentes públicos da música instrumental, oferecendo uma experiência sensorial marcada pela iluminação cênica com velas e ambientes históricos.

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