Diretor do Conjunto Penal de Eunápolis deixa cargo três meses após ataque
Após ter sido alvo de ataque, diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, Jorge Magno Alves, é exonerado e substituído por Fabrizio Gama
Por João Tramm.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), determinou a exoneração de Jorge Magno Alves do cargo de diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul do estado, três meses depois de ele ter sido alvo de um atentado. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira (28).
O comando do presídio ficará sob responsabilidade de Fabrizio Gama e Narici, enquanto Sergio Vinicius Tanure dos Santos assume como diretor-adjunto, substituindo Jefferson Oliveira Perfentino da Cruz.
Jorge Magno havia assumido a direção da unidade após a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024, substituindo a então diretora Joneuma Silva Neres, que ficou nove meses no cargo e foi a primeira mulher a comandar o presídio no estado. Ela acabou afastada após investigações apontarem suposto favorecimento a internos e ligação com facções criminosas.
O atentado que teve Jorge Magno como alvo ocorreu em 20 de maio, nas proximidades do presídio. Homens armados e encapuzados surpreenderam o motorista terceirizado do ex-diretor na Avenida Alcides Lacerda, no bairro Arisvaldo Reis.
Força Nacional segue no presídio de Eunápolis
A atuação da Força Penal Nacional (FPN) no Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, foi prorrogada. A Portaria de julho de 2025, assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, autoriza a permanência da FPN em caráter “episódico e planejado”, com foco em ações de apoio à administração prisional, treinamentos e capacitações.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, desta quarta-feira (30), e atende ao pedido da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado (Seap). A informação foi confirmada pela própria parte, que entende da necessidade deste reforço "visando fortalecer o combate ao crime organizado na região".
Escândalos e suspeitas na gestão da unidade
O presídio de Eunápolis tem sido palco de diversas polêmicas. Uma das mais graves foi a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024, que escancarou falhas no sistema de segurança e levantou suspeitas sobre conivência interna.
De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a ex-diretora do Conjunto Penal, Joneuma Silva Neres, teria lucrado cerca de R$ 1,5 milhão ao colaborar com o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção criminosa que atua na região. Parte desse valor, segundo a denúncia, seria referente ao pagamento de R$ 800 mil pela facilitação da fuga em massa. Ainda segundo o MP, a então gestora intermediava regalias e favorecimentos aos presos da facção em troca de valores ilícitos.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), optou por manter José Castro no cargo de secretário da Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), mesmo diante das polêmicas recentes — entre elas, denúncia de maus tratos no presídio de Salvador e o suposto envolvimento de uma ex-diretora com um detento e um ex-parlamentar do MDB.
Apesar da permanência de Castro no comando da pasta, o chefe do Executivo estadual determinou uma reestruturação nos postos de liderança do órgão.
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