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Eleições 2026: Prefeitura de Feira de Santana é notificada pelo MPT por pressão sobre servidores

MPT recomendou 12 medidas para prevenir o assédio eleitoral após denúncia de que funcionários teriam sido pressionados a participar de eventos de um candidato sob ameaça de demissão; Prefeitura negou as acusações

Por Victor Hernandes.

A Prefeitura de Feira de Santana, na região central da Bahia, foi cobrada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) após uma denúncia de pressão sobre servidores públicos e trabalhadores terceirizados durante o período das Eleições 2026. Segundo o relato recebido pelo órgão, funcionários teriam sido coagidos a participar de reuniões e eventos eleitorais de um dos candidatos que disputam o segundo turno, sob ameaça de demissão ou outras sanções.

Fachada da Prefeitura de Feira de Santana, na Bahia, alvo de recomendação do MPT sobre prevenção ao assédio eleitoral

Diante da denúncia, o MPT encaminhou uma recomendação ao Executivo municipal na quinta-feira (22), com 12 medidas para prevenir o assédio eleitoral e garantir a liberdade política dos trabalhadores.

A Prefeitura apresentou resposta ao órgão e negou os fatos denunciados. No entanto, o MPT informou que ainda é necessário comprovar o cumprimento das medidas recomendadas.

MPT estabelece prazos para Prefeitura comprovar medidas

A Recomendação nº 16311.2026 reúne orientações para impedir que o município ou seus agentes adotem práticas que interfiram nas escolhas políticas dos trabalhadores. Entre as medidas, o órgão recomenda que a Prefeitura garanta a servidores concursados, comissionados, empregados públicos, terceirizados, estagiários, aprendizes e voluntários o direito à livre orientação política e à liberdade de filiação partidária.

O documento também orienta que o município não pressione funcionários a participar de manifestações político-eleitorais nem persiga ou discrimine quem decidir não comparecer. Outra recomendação é que não haja propaganda eleitoral nas dependências físicas ou nos canais digitais institucionais, incluindo redes sociais, grupos de WhatsApp e e-mails oficiais, respeitando as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

O MPT também determinou, em sua recomendação, que o município divulgue amplamente, em até 24 horas, informações sobre o caráter ilícito do assédio eleitoral e o direito à liberdade de voto e de manifestação política.

A Prefeitura deverá apresentar, em até 48 horas, documentos que comprovem a adoção das medidas. O órgão acompanhará o cumprimento das 12 recomendações.

Prefeitura de Feira já foi condenada por assédio eleitoral

O MPT informou que a Prefeitura de Feira de Santana já foi alvo de uma ação civil pública por assédio eleitoral em 2022. Segundo o órgão, houve condenação com trânsito em julgado, quando não cabem mais recursos.

A nova recomendação ocorre durante o período eleitoral e busca prevenir possíveis práticas de pressão política no ambiente de trabalho.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho, ameaçar funcionários para influenciar o voto ou obrigá-los a participar de manifestações em apoio a uma candidatura pode configurar ilícito trabalhista.

Bahia teve 39 recomendações do MPT em 2026

A atuação em Feira de Santana faz parte do trabalho de fiscalização do assédio eleitoral no ambiente profissional durante as Eleições 2026. Segundo dados divulgados pelo MPT, o órgão emitiu 801 recomendações a empregadores investigados por suspeita dessa prática em todo o Brasil. Desse total, 39 foram destinadas a empregadores na Bahia.

No estado, 17 recomendações foram encaminhadas a empregadores da administração pública. Já no cenário nacional, quase 80% das denúncias de assédio eleitoral recebidas pelo órgão envolvem a iniciativa privada.

Trabalhadores que suspeitem de ameaças, pressão política ou discriminação relacionadas às eleições podem apresentar denúncias e provas ao Ministério Público do Trabalho, presencialmente ou pelos canais oficiais do órgão.

Outra prefeitura baiana é investigada por suspeita de assédio eleitoral

A Prefeitura de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, também é alvo de uma investigação do Ministério Público Eleitoral (MPE) após uma denúncia de suposto assédio eleitoral contra servidores municipais.

A representação aponta possíveis pressões no ambiente de trabalho para favorecer determinadas candidaturas nas Eleições 2026. O procedimento busca reunir informações e verificar se houve violação à liberdade de voto e de manifestação política dos funcionários.

A abertura da investigação, por si só, não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas.

Na Bahia, o MPT já havia registrado 32 denúncias de assédio eleitoral no trabalho até o início de outubro. Em todo o país, o órgão contabilizava 851 denúncias até 2 de outubro, segundo os dados divulgados naquele período.

 Prefeitura de Santo Antônio de Jesus é alvo de investigação sobre suposto assédio eleitoral contra servidores

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