Em Salvador, Lula adota tom de campanha e descarta versão ‘paz e amor’
Aniversário do PT em Salvador, Lula adota tom de campanha e descarta versão ‘paz e amor’
Por João Tramm.
O Partido dos Trabalhadores (PT) comemorou seus 46 anos, na manhã deste sábado (7). Em Salvador, Lula adota tom de campanha e descarta versão ‘paz e amor’. O ato contou com a presença da militância no Trapiche Barnabé. Na frente dos petistas, o presidente afirmou que vai se despir de sua versão ‘Lulinha paz e amor’, como ficou conhecido pelo seu caráter conciliador.
“Não interessa mais ser ‘Lulinha paz e amor’. Essa eleição vai ser guerra”, declarou o presidente, ao defender que a militância atue de forma mais combativa no enfrentamento às fake news. O ato iniciou com a execução do hino nacional, executada pela voz da ministra da Cultura, e cantora baiana, Margareth Menezes.

Em Salvador, Lula adota tom de campanha e descarta versão ‘paz e amor’
Lula afirmou que as redes sociais têm sido usadas majoritariamente para espalhar mentiras e disse que a campanha deve se basear no confronto direto à desinformação. Para ele, não basta ignorar ataques ou apagar conteúdos falsos.
“Tem que desmentir, provar e reagir. Eles são desaforados, e a gente não pode continuar quietinho. A eleição vai ser guerra”, disse.
O petista defendeu que para enfrentar o clima de guerra é preciso de um exército e de alianças. Dessa forma, o petista liberou os dirigentes partidários a firmarem alianças regionais, desde que respeitados os princípios do PT. Como exemplo, citou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que já esteve na oposição e hoje integra o governo.
“Aliança é tática. O que não pode é negar os princípios do partido”, afirmou logo após de ter enaltecido a 'sorte' que ele disse ter na escolha de seus vices.
Apesar disso, esse assunto não é unânime entre os militantes e até mesmo entre as autoridades presentes hoje. Um dos questionados sobre eventuais alianças foi o Ministro do Desenvolvimento Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. Em coletiva, o petista descartou a possibilidade de alianças com lideranças da oposição no Piauí e reforçou o apoio à reeleição do presidente.
“Não veja essa perspectiva, até por parte da posição do senador. Não se trata somente do líder da oposição do Piauí, se trata do líder da oposição nacional. Então do ponto de vista do Piauí, nós vamos trabalhar para uma composição com partidos que, na alegria e na dor, estejam do nosso lado”, declarou o ministro.
A fala do ex-governador do estado se direciona em especial a Ciro Nogueira (PP), que nas últimas semanas se encontrou com Lula. Aliado ao bolsonarismo, o progressista teria demonstrado inclinação a se afastar de Flávio Bolsonaro (PL), como forma de garantir que pudesse lançar um nome de sua confiança ao Senado.
Autocrítica partidária
Ao fazer uma autocrítica partidária, Lula reforçou que o foco deve estar no fortalecimento da legenda, e não em lideranças individuais.
“Não é o Lula que tem que ser forte, é o partido”, declarou, ao criticar disputas internas que, segundo ele, já enfraqueceram o PT em outros momentos. Lula também fez uma reflexão sobre erros do partido ao longo dos anos e defendeu que a legenda reconheça onde “derrapou” para corrigir rumos.
“A gente errou, e precisa ter coragem de dizer onde errou”, afirmou.
Aos 80 anos, o presidente disse viver o melhor momento de sua vida. A mesma afirmação foi feita ontem em entrega na área da saúde, realizada no Parque de Exposições. Em Salvador, Lula também deu entrevista exclusiva à TV Aratu e anunciou, em primeira mão, a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública.
O petista ainda destacou a influência da primeira-dama Janja da Silva, especialmente no engajamento do governo no combate à violência contra a mulher. Lula lançou o Pacto de Combate ao Feminicídio nesta semana, e disse que sem Janja o projeto não existiria.
Além de Janja, o evento contou com a presença do presidente nacional do PT, Edinho Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin, do governador da Bahia Jerônimo Rodrigues, e do prefeito de Recife, João Campos (PSB), uma das presenças que mais chamaram atenção no ato. O presidente do PSB é sondado para ser candidato do grupo na eleição de governador de Pernambuco neste ano.
Bastidores
O evento contou com diversas autoridades nacionais do PT que conversaram com a imprensa antes do início dos discursos. Entre elas, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o partido trabalha para construir alianças nos moldes de 2022, com um núcleo de centro-esquerda e apoios regionais de partidos de centro.
“Vamos repetir um quadro parecido com 2022, com alianças formais do campo democrático e apoios regionais”, disse.
Questionada sobre os penduricalhos aprovados pelo Congresso para servidores públicos, Gleisi afirmou que o tema ainda será analisado pelo governo. “O projeto não chegou para avaliação. Quando chegar, vamos avaliar como proceder”, afirmou. A matéria divide o Congresso, inclusive a própria base, ontem, a deputada federal, Alice Portugal (PCdoB) afirmou que os direitos dos servidores precisam ser mantidos, mas os excessos devem ser vetados por Lula.
Já o ex-ministro José Dirceu ressaltou que a reeleição de Lula precisa vir acompanhada de mudanças no Legislativo. “Tão importante quanto reeleger o presidente Lula é mudar o Congresso Nacional”, afirmou.
Ao Aratu On, em entrevista exclusiva, o deputado federal Valmir Assunção (PT) fez críticas diretas ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. Valmir é uma das principais lideranças e, apesar de enaltecer entregas do governo na área, criticou a condução da reforma agrária pelo próprio grupo.
“Se tivéssemos um ministro mais comprometido com a reforma agrária, teríamos avançado muito mais. Se tivéssemos avançado mais na reforma agrária, os resultados seriam ainda maiores, embora o governo tenha feito entregas importantes”, afirmou.
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