Ex-banqueiro Daniel Vorcaro deixará cela da PF e será levado para cela na Papudinha
A polícia pediu a transferência de Vorcaro sob argumento de que a delegacia só tem cela para presos de passagem
Por Victor Souza.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência, em 24 horas, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para uma cela na Papudinha, no Complexo da Papuda. Atualmente o empresário está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília (DF). Ele foi autorizado a permanecer no local com o intuito de ter maior interação com os advogados enquanto negociava um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

No entanto, as duas propostas apresentadas pela defesa à PF e ao Ministério Público foram rejeitadas. Com isso, ele não vai permanecer na delegacia da PF. Os investigadores apontaram que as propostas de Vorcaro pouco avançaram em relação ao que já foi apurado.
A polícia pediu a transferência de Vorcaro sob argumento de que a delegacia só tem cela para presos de passagem. Segundo a PF, o caso do ex-banqueiro não se enquadra neste critério.
Após isso, Mendonça estabeleceu a transferência. O magistrado determinou ainda que a direção da Papudinha "adote todas as providências necessárias para preservar a incomunicabilidade entre os custodiados presos em razão da denominada Operação Compliance Zero".
Prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso no mês de março pela Polícia Federal, em São Paulo, no âmbito de uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras.
O cunhado dele, Fabiano Zettel, também é alvo de mandado de prisão preventiva, mas ainda não havia sido localizado até a última atualização desta reportagem.
A prisão ocorreu na terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, a ação tem como objetivo investigar a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
O nome da operação faz referência à suposta ausência de controles internos eficazes nas instituições envolvidas para prevenir crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Havia um mandado de prisão preventiva contra Daniel Vorcaro, que foi encaminhado à Superintendência da PF na capital paulista.
Além de Vorcaro e Zettel, a Justiça expediu outros dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, cumpridos em São Paulo e Minas Gerais.
As ordens foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações contam com o apoio do Banco Central do Brasil.
Também foram determinadas medidas de afastamento de cargos públicos e o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões. Segundo a PF, o objetivo é interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

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