Filme sobre Bolsonaro pode não chegar aos cinemas após derrota de Flávio; entenda
Filme sobre Jair Bolsonaro, previsto para 2027, é alvo de investigação da Polícia Federal
Por Da redação.
A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro , intitulada “Dark Horse”, ainda nem chegou às telas, mas já está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF). O trabalho do pesquisador esclarece como os recursos destinados ao longo foram utilizados e se a operação apresenta irregularidades.

Biografia do ex-presidente pode não chegar aos cinemas
Com as apurações em andamento , uma das alternativas consideradas pelos produtores é disponibilizar a obra diretamente em serviços de streaming, em vez de seguir o modelo tradicional de lançamento nos cinemas. Nesse formato, o filme não precisaria passar pela aprovação da Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável pela regulação das exibições convencionais.
O jornal O Globo informou que a PF deve divulgar, nas próximas semanas, o exame contábil e financeiro dos contratos e pagamentos realizados pela Go Up Entertainment, empresa que conduz o projeto.
Mais de 20 mil páginas de documentos entregues
Para colaborar com a investigação, a produtora apresentou mais de 20 mil páginas de documentos. Entre os arquivos entregues estão registros de operações de câmbio, notas fiscais e comprovantes de despesas operacionais. A análise da documentação ainda não foi finalizada.
A investigação ganhou força depois que o site Intercept Brasil divulgou, em maio passado, gravações nas quais o senador Flávio Bolsonaro aparece cobrando dinheiro de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A divulgação motivou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além de Flávio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP ), irmão do senador, também é investigado. Os dois são alvo de apurações por suspeitas de corrupção passiva e ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais.
Entre as hipóteses examinadas pela Polícia Federal está a possibilidade de valores transferidos por Vorcaro, por meio do fundo Havengate, terem sido utilizados para financiar o período em que Eduardo Bolsonaro esteve nos Estados Unidos. O fundo é administrado por um advogado próximo ao ex-deputado.
Gastos e projeções de bilheteria
Os custos de produção também estão sob análise. Uma perícia contratada pela própria Go Up aponta que a etapa chamada de “soft produção”, dedicada aos primeiros estudos e definição de conceitos do filme, consumiu US$ 2,68 milhões.
O valor corresponde a 20% do orçamento total estimado em US$ 13,39 milhões. Na conversão apresentada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, o valor global do projeto equivale a R$ 75,18 milhões.
A PF também declarou preocupação com as expectativas de arrecadação pelos responsáveis pelo longo prazo. Em sua avaliação, as projeções colocam a produção em um patamar muito acima dos resultados historicamente alcançados pelo cinema brasileiro.
A corporação fez como referência o desempenho de “Minha Mãe é uma Peça 3”, lançado em 2019, que registrou aproximadamente R$ 120 milhões em bilheteria. Na época, o resultado correspondeu a cerca de US$ 30 milhões.
Segundo o pesquisador, o cenário mais otimista planejado para “Dark Horse” ultrapassaria em mais de três vezes o recorde nacional, aproximando-se do desempenho esperado em grandes produções de Hollywood no mercado mundial.
Para a PF, a diferença entre as estimativas financeiras do projeto e a realidade do mercado cinematográfico brasileiro levanta questionamentos sobre a possibilidade de retorno econômico e sobre o verdadeiro objetivo da operação.
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