Flávio é intimado pela PF a entregar passaportes e diz que vai pedir cassação da chapa de Lula
Candidato à Presidência derrotado acusa Lula de compra de votos e abuso de poder
Por Beatriz Nonato.
O candidato à Presidência derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), publicou um vídeo em suas redes sociais nesta segunda (25) em que afirma que foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes e que pedirá a cassação da chapa de Lula (PT) à reeleição.

Flávio foi derrotado por Lula com uma diferença de 3,58%. O petista obteve 51,79% dos votos válidos, enquanto o adversário conquistou 48,21% dos votos. Em números absolutos, são cerca de 4,4 milhões de votos a mais para o atual presidente.
No vídeo publicado, Flávio acusa Lula de abuso de poder político e econômico, incluindo compra de votos. Ele questiona a prorrogação da votação do último domingo (25), afirmando que a decisão foi tomada, a pedido do PT, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, porque ele seria ex-advogado do presidente.
O PL também pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a extensão do horário de votação em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Porém, na avaliação de Flávio, a prorrogação "não foi normal". Ele diz que foi a primeira vez que um ministro do STF "atropelou o TSE".
Restrição para deixar o país
Flávio relatou que foi abordado por agentes da PF nesta segunda (26) ao deixar a casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou a apreensão dos passaportes no âmbito da investigação de lavagem de dinheiro por parte de Flávio e do advogado Willer Tomaz, num esquema envolvendo empresas do advogado e casas de apostas.
A decisão do ministro inclui a proibição de contato entre Flávio e Tomaz, o cancelamento de todos passaportes brasileiros, incluindo o diplomático do senador, e entrega em até 24h de passaportes que Flávio tenha de outros países. Com a apreensão dos documentos, ele fica proibido de deixar o Brasil.
Moraes foi sorteado relator do caso no dia 8 de outubro. Por ser senador, Flávio possui foro especial no STF. A investigação começou no Rio Grande do Sul, contra Tomaz, para apurar lavagem de dinheiro, evasão de dívidas, e o uso de bets no esquema. A PF identificou Flávio como "usuário master" de uma conta da empresa de Willer Tomaz.
O advogado também é suspeito de lavar dinheiro de recursos desviados no esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e de ser sócio de Daniel Vorcaro em cotas de um jatinho.
Flávio alega que a decisão foi baseada em uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro do dia 23 de outubro. Na ocasião, Eduardo afirmou que o irmão deveria deixar o país caso perdesse a eleição.
O candidato do PL nega planos de deixar o Brasil, afirmando que entregará os documentos e que vai se defender do que chamou de "aberração" e "clara tentativa de me intimidar". Ele informou que possui intenções de reunir parlamentares eleitos da direita para definir uma estratégia de enfrentamento ao governo de Lula, e que assumirá a liderança do grupo, por isso permanecerá no Brasil.
Flávio acusa Lula de compra de votos
No mesmo vídeo, Flávio acusa o presidente Lula de "injetar" meio trilhão de reais de dinheiro público para compra de votos. Ele diz que o petista praticou abuso de poder político e econômico, e que por isso, pedirá a cassação da chapa.
Desde o anúncio do resultado ainda na noite de domingo (25), o candidato do PL afirmou que não reconhecerá o resultado das eleições. A vitória de Lula já foi reconhecida pelo presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes Marques, que já afirmou que a prorrogação do horário de votação não provocou alterações no resultado das urnas.

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