Irmã de Carla Zambelli declara voto em Lula e expõe motivo para usar outro sobrenome
Professora de Direito diz que diverge das posições políticas da família e defende a democracia
Por Isabela Cardoso.
A professora de Direito Paula Brasil, irmã da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Em uma publicação nas redes sociais, ela defendeu a democracia e explicou por que suas convicções políticas divergem das posições públicas da família.

“Sou Zambelli, e voto 13. Para que nosso país continue a ser democrático, livre, soberano e respeitador das existências todas”, escreveu Paula.
Na carta, a professora se identifica como progressista e feminista e afirma que decidiu esperar o encerramento do primeiro turno para se manifestar, com o objetivo de evitar prejuízos aos familiares. Segundo ela, a decisão de tornar público seu posicionamento está relacionada ao compromisso com a democracia, a Constituição brasileira e o Estado Democrático de Direito.
Irmã de Carla Zambelli explica por que manteve outro sobrenome
Paula Brasil também explicou por que optou por continuar usando o sobrenome do ex-marido após o divórcio. Segundo ela, a trajetória política da irmã fez com que o nome Zambelli passasse a ser associado a ideias e posicionamentos dos quais discorda.
“Progressivamente, o nome Zambelli passou a ser associado publicamente a ideias, discursos e escolhas políticas das quais discordo profundamente”, afirmou.
A professora também mencionou o período da pandemia de Covid-19 como parte desse contexto. Segundo ela, enquanto a família vivia um isolamento rigoroso, o sobrenome passou a ocupar o debate público por motivos que rejeitava.
Paula contou que, ao longo dos anos, preferiu não se manifestar sobre questões familiares para evitar polêmicas. No entanto, afirmou que chegou a um momento em que o silêncio passou a representar uma renúncia à própria voz.
“Mas o silêncio também é uma escolha. E chega um momento em que permanecer em silêncio deixa de significar preservar relações e passa a significar apagar a própria voz”, escreveu.
Professora diz que divergência política não significa rompimento familiar
Na publicação, Paula afirmou que continua amando os irmãos, apesar das diferenças políticas. Ela também ressaltou que não pretende transformar a história da família em um espetáculo público.
“Eu respondo pelas minhas escolhas e posições. Ela responde pelas dela. Também não pretendo transformar uma história familiar em espetáculo”, declarou.
A manifestação contrasta com a trajetória política de Carla Zambelli, uma das apoiadoras do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eleita deputada federal em 2018, pelo então Partido Social Liberal (PSL), Carla foi reeleita em 2022 pelo Partido Liberal (PL), como a segunda deputada federal mais votada de São Paulo.
Neste ano, a mãe das duas, Rita Zambelli, também tentou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não conseguiu se eleger, ficando como suplente do PL.
O que aconteceu com Carla Zambelli na Itália?
Carla Zambelli está na Itália após deixar o Brasil e ser considerada foragida da Justiça brasileira. A ex-parlamentar havia sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão, além da perda do mandato, por invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Posteriormente, a Corte Suprema de Cassação, em Roma, anulou o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro e determinou a soltura imediata da ex-deputada.
Com a decisão, o pedido de extradição voltou à etapa inicial e deverá passar por um novo julgamento. Carla permanece em liberdade na Itália, conforme as informações disponíveis sobre o caso.
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