Lula critica Estados Unidos após prisão de Maduro na Venezuela: ‘Afronta’
O presidente Lula criticou os Estados Unidos após a prisão de Nicolás Maduro na Venezuela, o que considerou uma “afronta gravíssima a soberania” do país
Por Lucas Pereira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a ação dos Estados Unidos após a prisão de Nicolás Maduro dentro da Venezuela, algo que Lula chamou de “afronta gravíssima a soberania” do país. Na postagem feita em suas redes sociais, o brasileiro cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", disse Lula.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou a prisão de Nicolás Maduro e sua esposa através de seu perfil no X, afirmando que a ação ocorreu após um “ataque em grande escala”.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, junto com sua esposa, capturado e expulso do país. Essa operação foi realizada em conjunto com as autoridades policiais dos Estados Unidos”, escreveu Trump, nas redes sociais.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que o governo não sabe o paradeiro de Maduro, nem o da primeira-dama Cilia Flores. Em coletiva, ela afirmou que exigirá "prova imediata de vida" para ambos.
Em seu texto, Lula ainda exigiu que a ONU agisse imediatamente sobre a “interferência na política da América Latina e do Caribe”.
"A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação."
Maduro será julgado nos Estados Unidos
O senador Mike Lee disse, neste sábado (3), que os Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para julgá-lo em Washington. A informação, segundo ele, foi repassada pelo secretário de Estado, Marco Rúbio, durante telefonema.
“Ele me informou que Nicolás Maduro foi preso por militares americanos para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos, e que a ação cinética foi usada para proteger e defender aqueles que executaram o mandado de prisão”, disse, acrescentando que Rubio não prevê ações adicionais no país.
Vale lembrar que em julho do ano passado, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou que Nicolás Maduro foi reeleito presidente da Venezuela para mais seis anos de mandato. Ele governa o país vizinho há 11 anos, desde a morte de Hugo Chávez, em 2013. Ainda conforme resultado, com 80% das urnas apuradas, Maduro obteve 5,150 milhões de votos (51,2%) contra 4,445 milhões (44,2%) do principal candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, segundo informou o órgão responsável pela realização dos processos eleitorais na Venezuela.
Maduro na mira
Nicolás Maduro está na lista de alvos dos Estados Unidos desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. O republicano, que não reconhece o governo de Maduro, acusa o líder venezuelano de liderar cartéis de drogas no Caribe.
Nesta semana, Trump revelou que os Estados Unidos atacaram uma “grande instalação portuária” na Venezuela na última sexta-feira (26), usada para o “carregamento de drogas”. A operação, comandada pela Agência Central de Inteligência (CIA), marcou o primeiro ataque terrestre no país sul-americano desde o início da campanha de Washington contra cartéis de drogas na América Latina.

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