Regra da Anvisa libera uso de canabidiol na odontologia para casos graves
Dentistas ganham autorização para prescrever CBD em dores orofaciais e DTM quando tratamentos tradicionais deixam de responder
Por Isabela Cardoso.
O uso de produtos à base de canabidiol (CBD) na odontologia tem despertado o interesse de cirurgiões-dentistas, especialmente para o manejo de dores crônicas e de condições como a disfunção temporomandibular (DTM).

A discussão ganhou espaço com a atualização das regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que, desde 4 de maio de 2026, permite a prescrição de produtos de Cannabis regularizados com teor de tetrahidrocanabinol (THC) menor ou igual a 0,2% por meio de Receita de Controle Especial (receita branca). A mudança também contempla cirurgiões-dentistas legalmente habilitados.
A prescrição da substância exige fundamentação em dados técnico-científicos e avaliação individualizada do quadro do paciente. O recurso é indicado quando as alternativas terapêuticas convencionais, com medicamentos já regularizados no país, não oferecem resposta clínica satisfatória.
Canabidiol na Odontologia: Anvisa Libera Prescrição de CBD para Dor Crônica e DTM
A inserção da molécula na rotina dos consultórios odontológicos tem foco principal no manejo de disfunções e condições dolorosas contínuas. A maior evidência científica acumulada até o momento concentra-se no tratamento da dor crônica, que se alinha às demandas da área orofacial.
Entre as principais condições que motivam o interesse dos profissionais da saúde bucal estão:
- Disfunção Temporomandibular (DTM): alterações na articulação que causam dores na mandíbula e face.
- Dores orofaciais crônicas: quadros dolorosos persistentes na região do pescoço e da cabeça.
- Bruxismo e apertamento dentário: condições neuromusculares que geram desgaste dental e fadiga muscular.
Segundo Edilson Bianqui, diretor de Marketing da farmacêutica Prati-Donaduzzi, o interesse dos cirurgiões-dentistas por essas aplicações já existe, embora o mercado ainda esteja em formação.
O executivo aponta que a evolução das pesquisas sobre o canabidiol deve contribuir para esclarecer as possibilidades de uso na prática odontológica. Ele também faz uma distinção entre as aplicações da substância que contam com evidências e aquelas que ainda precisam de investigação.

“O canabidiol tem evidência científica para o seu uso na dor crônica, o que vai ao encontro de uma grande necessidade e possibilidade de indicação na odontologia. Para outras indicações, ainda não há evidência científica robusta na literatura nacional e internacional”, afirma.
A declaração evidencia uma das principais questões em torno do uso da substância: o interesse clínico por novas alternativas de tratamento precisa ser acompanhado pela avaliação das evidências disponíveis para cada indicação.
Prescrição de canabidiol por dentistas exige avaliação individual
A possibilidade de prescrição não significa que o canabidiol seja indicado para todos os pacientes com dor ou outros problemas odontológicos. A decisão depende da avaliação do quadro clínico, dos tratamentos já realizados e da existência de alternativas terapêuticas satisfatórias.
Bianqui afirma que a substância deve ser considerada dentro de uma estratégia terapêutica individualizada. “O canabidiol não é o ‘remédio milagroso’, ele é um medicamento e tem seus benefícios e efeitos adversos, como qualquer outro medicamento. Ele deve ser utilizado quando o prescritor, seja ele médico ou odontólogo, já utilizou outras alternativas e ainda não conseguiu o resultado desejado”, diz.
A avaliação também exige atenção às possíveis contraindicações e interações medicamentosas, além da análise dos benefícios esperados. Esses fatores fazem parte da responsabilidade do profissional que prescreve.

Mercado de canabidiol na odontologia ainda está em formação
A ampliação das possibilidades de prescrição também abre espaço para discussões sobre a preparação dos profissionais. As dúvidas envolvem desde os critérios para indicação até a interpretação das evidências científicas e a segurança do tratamento.
Na avaliação de Bianqui, o interesse dos dentistas já é perceptível, mas a formação desse mercado acompanha o avanço dos estudos sobre a molécula e suas aplicações.
O executivo afirma que a empresa está preparando materiais científicos e educativos voltados à odontologia. A iniciativa, segundo ele, busca ampliar o acesso dos profissionais a informações sobre prescrição e uso do canabidiol.
"Existem muitas duvidas relacionadas à prescrição do canabidiol e isso não é uma exclusividade dos odontólogos [...] Todos os nossos materiais de treinamento e educação continuada para os profissionais de saúde possuem referências nacionais e internacionais e tudo o que estamos preparando para os cirurgiões-dentistas seguem o mesmo padrão de qualidade e compromisso com a ciência", detalha Edilson.
O avanço do conhecimento sobre o canabidiol na odontologia dependerá, portanto, da produção e da análise de evidências que permitam esclarecer em quais situações a substância pode oferecer benefícios, quais são seus riscos e quais limitações devem orientar sua utilização.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
