Anvisa emite alerta sobre uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento

Anvisa emite alerta e orienta usuários de canetas emagrecedoras a necessidade de acompanhamento médico durante o uso, devido a casos relacionados a pancreatite

Por Laraelen Oliveira.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta, nesta segunda-feira (9), sobre a utilização de canetas para tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico adequado e para doenças que não estão aprovadas nas bulas  dos medicamentos. No documento divulgado, é citado o aumento de notificações de casos de pancreatite associados ao uso do Ozempic, Saxenda e Mounjaro. 

O aviso da agência abrange todos os medicamentos que contenham dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, incluindo todas as canetas registradas no país. No Reino Unido, cerca de 19 mortes foram associadas ao uso do medicamento, o que gerou um alerta em relação ao medicamento. 

As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis de uso semanal ou diário, desenvolvidos originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2/Foto: Freepik 

Apesar da pancreatite já está descrita como uma das reações adversas na bula das canetas emagrecedoras no Brasil, a Anvisa afirma que houve um aumento recente nas notificações relacionadas a essa condição, as canetas devem ser usadas apenas com as indicações aprovadas nas orientações do remédio e sempre com acompanhamento de profissional habilitado. 

Indicações e orientações da Anvisa para redução de riscos a saúde 

Atualmente, as canetas emagrecedoras só são permitidas para o tratamento da obesidade e diabetes. Existem apenas duas exceções para essa regra, a semaglutida, para redução de risco de eventos cardiovasculares e o Mounjaro durante o tratamento de apineia. 

No documento, a Anvisa também alerta que o risco ao paciente é maior quando estes medicamentos são utilizados para emagrecimento rápido ou fins estéticos, sem indicação clínica.

A agência também reforça que o tratamento deve ser interrompido imediatamente em caso de suspeita de pancreatite e não deve ser retomado se o diagnóstico for confirmado.

A tabela a seguir apresenta um panorama dos principais medicamentos utilizados no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e da obesidade/sobrepeso, com foco especial nos fármacos à base de agonistas do receptor de GLP-1 e combinações com insulina.

Estão organizadas informações essenciais como nome comercial, princípio ativo, indicação terapêutica, data de registro e empresa detentora, permitindo uma visualização comparativa da evolução desses medicamentos no mercado brasileiro/Foto: Anvisa/Imagem gerada por Chat GPT

O Brasil investiga seis mortes por pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras. Os casos são tidos como suspeitos e envolvem as principais marcas do mercado como Ozempic, Mounjaro, Saxenda.

Sintomas de pancreatite 

Pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios como a insulina. Ela pode se manifestar de forma aguda, com início súbito e sintomas intensos, ou crônica, quando a inflamação é persistente e leva à perda progressiva da função pancreática.

Os principais sintomas incluem dor abdominal intensa (geralmente irradiando para as costas), náuseas, vômitos, febre e distensão abdominal. Entre as causas mais comuns estão o consumo excessivo de álcool, cálculos biliares, hipertrigliceridemia e o uso de determinados medicamentos.

O acompanhamento profissional permite ajustar doses, monitorar efeitos colaterais, avaliar exames laboratoriais e identificar precocemente sinais de complicações, como alterações pancreáticas e gastrointestinais/Foto: Reprodução 

No contexto farmacológico, a pancreatite merece atenção especial, pois alguns fármacos utilizados no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e da obesidade, como os agonistas do receptor de GLP-1, já foram associados a relatos de pancreatite, exigindo monitoramento clínico cuidadoso e avaliação individual de riscos e benefícios.

Uso de medicamentos para emagrecimento pode encurtar efeito do botox, aponta estudo

Um estudo recente indicou uma possível associação entre o uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, e a redução da duração dos efeitos da toxina botulínica tipo A. A pesquisa, publicada no portal científico PubMed no dia 29 de outubro, utilizou modelagem computacional para simular o comportamento de cerca de 25 mil pacientes virtuais.

Os resultados apontaram uma diminuição média de aproximadamente quatro semanas no tempo de ação da toxina botulínica em pessoas que utilizam esse tipo de medicamento. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores desenvolveram um modelo digital capaz de avaliar se mudanças metabólicas e neuromusculares provocadas pelos fármacos poderiam interferir na eficácia do botox.

Segundo o estudo, a redução da duração do efeito foi observada tanto em aplicações estéticas, como no tratamento de rugas, quanto em usos terapêuticos, a exemplo do controle da enxaqueca crônica.

Especialistas chamam atenção para os riscos do uso indiscriminado das “canetas emagrecedoras”

Nos últimos anos, medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, entre eles Ozempic e Mounjaro, ganharam notoriedade por prometerem perda de peso rápida. Embora tenham sido desenvolvidos originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, esses fármacos passaram a ser amplamente utilizados com fins estéticos, o que tem gerado preocupação entre profissionais de saúde.

O uso de medicamentos para perda de peso rápida, especialmente sem orientação médica ou para fins estéticos (sem obesidade diagnosticada), representa sérios riscos à saúde física e mental/Foto: Reprodução 

As terapias injetáveis atuam em receptores do intestino e do cérebro, promovendo maior sensação de saciedade e retardando o esvaziamento gástrico, o que reduz a ingestão alimentar e favorece o déficit calórico. No entanto, a nutricionista Mayara Cardoso, coordenadora do curso de Nutrição da Estácio, alerta que o uso sem acompanhamento médico pode trazer efeitos adversos. Entre os mais comuns estão náuseas, vômitos, constipação intestinal e alterações no funcionamento do sistema digestivo.

Medicamentos para emagrecimento podem comprometer a fertilidade e a gestação

A busca pelo emagrecimento rápido e pelo chamado “corpo ideal” tem impulsionado o uso de medicamentos e hormônios com finalidades estéticas, como Ozempic, Mounjaro, o chamado “chip da beleza” e até a testosterona. Apesar da crescente popularidade, especialistas alertam que essas substâncias podem representar riscos significativos para mulheres que desejam engravidar.

Em entrevista ao Aratu On, a ginecologista e especialista em reprodução assistida Dra. Graziele Reis explicou que esses métodos de emagrecimento podem interferir na fertilidade feminina, além de oferecer riscos à gestação e ao desenvolvimento do bebê. Segundo a médica, o uso dessas substâncias deve ser cuidadosamente avaliado, especialmente por mulheres em idade reprodutiva ou que planejam a maternidade.

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