Morte de Isabel Veloso chama atenção para o linfoma de Hodgkin
Apesar de ser considerada uma doença com altas taxas de resposta ao tratamento quando diagnosticada precocemente, o linfoma de Hodgkin pode apresentar evolução grave
Por Dinaldo dos Santos.
A morte da influenciadora digital Isabel Veloso, aos 19 anos, em decorrência de complicações causadas por um linfoma de Hodgkin, reacende o debate sobre essa forma específica de câncer que afeta o sistema linfático. Apesar de ser considerada uma doença com altas taxas de resposta ao tratamento quando diagnosticada precocemente, o linfoma de Hodgkin pode apresentar evolução grave em alguns casos.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer originado nos linfócitos, células do sistema imunológico responsáveis pela defesa do organismo. Ele se caracteriza pela presença das chamadas células de Reed-Sternberg, identificadas por meio de exames laboratoriais e consideradas a principal marca da doença .
O que é o linfoma de Hodgkin
Especialistas explicam que o sistema linfático é composto por linfonodos, baço, timo e vasos linfáticos, estruturas essenciais para o funcionamento do sistema imune. No linfoma de Hodgkin, ocorre uma multiplicação desordenada de linfócitos B anormais, que se acumulam principalmente nos linfonodos, formando tumores.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), a doença representa cerca de 10% a 15% de todos os linfomas e apresenta dois picos de incidência: adultos jovens, entre 15 e 40 anos, e pessoas acima dos 60 anos .
Sintomas mais comuns
Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Entre os sinais mais frequentes estão:
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aumento indolor dos gânglios no pescoço, axilas ou virilha;
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febre persistente sem causa aparente;
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suor noturno intenso;
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perda de peso involuntária;
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fadiga e coceira generalizada.
Em estágios mais avançados, podem surgir dores no tórax ou abdômen, tosse persistente e comprometimento de órgãos internos, dependendo da disseminação da doença .
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do linfoma de Hodgkin é confirmado por meio de biópsia de linfonodo, exame que permite identificar as células características da doença. Exames de imagem, como tomografia e PET-CT, ajudam a determinar o estágio e a extensão do câncer.
Segundo o Inca, o tratamento padrão envolve quimioterapia, podendo ser associada à radioterapia, conforme o estágio clínico. Em casos específicos, são indicadas terapias-alvo e imunoterapia, especialmente quando há recidiva ou resistência ao tratamento inicial .
Prognóstico
Em geral, conforme o Inca, o linfoma de Hodgkin é considerado um dos cânceres com maiores taxas de cura na oncologia. Dados de sociedades médicas internacionais indicam que a taxa de sobrevida em cinco anos pode ultrapassar 85% quando o diagnóstico ocorre em fases iniciais.
No entanto, especialistas alertam que fatores como diagnóstico tardio, agressividade da doença, resposta limitada ao tratamento e complicações clínicas podem reduzir significativamente as chances de sucesso terapêutico, como ocorreu no caso de Isabel Veloso .
Atenção aos sinais
Para hematologistas, a visibilidade de casos como o da influenciadora reforça a importância da atenção aos sintomas persistentes e da busca por avaliação médica especializada. O diagnóstico precoce segue sendo um dos principais fatores para ampliar as chances de cura e reduzir a mortalidade associada ao linfoma de Hodgkin.
Histórico de saúde de Isabel Veloso
Isabel Veloso enfrentou uma batalha contra o Linfoma de Hodgkin desde os 15 anos. Após um período de interrupção no tratamento, a doença retornou em 2024, coincidindo com o período de gestação. Aos cinco meses de gravidez, Isabel retomou o tratamento oncológico.
Com 28 semanas de gestação, exames apontaram que o linfoma havia se espalhado para os pulmões. Após o nascimento de Arthur, a influenciadora foi submetida a um transplante de medula óssea, tendo o pai como doador.
Entretanto, complicações respiratórias levaram à sua internação na UTI no dia 27 de novembro. Após uma breve melhora, um quadro de pneumonia grave forçou uma nova intubação em 4 de dezembro, situação que persistiu até sua morte.
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