Chacinas aumentam em Salvador e RMS; violência chama atenção em julho
Levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta mudanças no cenário da violência e chama atenção para a ocorrência de chacinas durante o mês de julho.
Por Rosana Bomfim.
A Bahia registrou aumento de 50% no número de chacinas em Salvador e na Região Metropolitana durante o mês de julho de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta terça-feira (11).

Segundo o levantamento, foram registradas seis chacinas em julho deste ano, todas durante ações ou operações policiais. Ao todo, 16 pessoas morreram. Em julho de 2025, foram contabilizadas quatro chacinas, com 14 vítimas.
O número de chacinas cresceu 50% em um ano, enquanto a quantidade de mortos aumentou 14%, passando de 14 para 16 vítimas.
Mais de 100 tiroteios foram registrados em julho
Salvador e Região Metropolitana registraram ao menos 118 tiroteios em julho de 2026, segundo o Instituto Fogo Cruzado. Ao todo, 120 pessoas foram baleadas: 93 morreram e 27 ficaram feridas.
Do total de ocorrências, 62 aconteceram durante ações ou operações policiais, o equivalente a 52% dos tiroteios registrados no mês. Esses episódios deixaram 49 mortos e 12 feridos.
A concentração de chacinas relacionadas a ações policiais também aumentou. Em julho de 2025, duas das quatro chacinas registradas ocorreram durante ações ou operações policiais, correspondendo a 50% dos casos. Já em julho deste ano, os seis episódios ocorreram nesse contexto.
As chacinas foram registradas nos bairros de Capelinha, Castelo Branco, Cosme de Farias, Barreiras, Nordeste de Amaralina e Beiru/Tancredo Neves, em Salvador.
Número de chacinas cai no acumulado do ano
Apesar do aumento registrado em julho, o número total de chacinas apresenta redução no acumulado de 2026.
Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 20 chacinas, contra 24 no mesmo período de 2025, uma redução de 17%.
A participação das ações ou operações policiais, no entanto, aumentou. Em 2026, 19 das 20 chacinas ocorreram durante ações ou operações policiais, o equivalente a 95% dos casos. No mesmo período de 2025, foram 16 chacinas nesse contexto entre as 24 registradas, correspondendo a 67%.
Apesar da queda no número total de chacinas, a quantidade de pessoas mortas em chacinas ocorridas durante ações ou operações policiais permaneceu a mesma: 65 vítimas nos dois períodos.
Em 2026, 65 das 68 pessoas mortas em chacinas foram vítimas de episódios ocorridos durante ações ou operações policiais, o equivalente a 96% das mortes. Em 2025, foram 65 das 89 vítimas, ou 73%.

Instituto Fogo Cruzado alerta para concentração da letalidade
Para Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado, os dados indicam uma concentração da letalidade em determinados territórios e situações.
“Quando olhamos apenas para o número total de chacinas, temos uma redução no acumulado do ano. Mas, quando observamos como esses episódios acontecem, o cenário chama atenção: 95% das chacinas registradas em 2026 ocorreram durante ações ou operações policiais. E, mesmo com menos casos, tivemos o mesmo número de pessoas mortas em chacinas durante ações policiais”, afirmou.
Segundo a coordenadora, os dados precisam ser analisados considerando a dinâmica e a localização dos episódios.
“Esses dados refletem uma concentração da letalidade em determinadas dinâmicas e territórios, e isso precisa ser considerado. Não podemos tratar como mera coincidência eventos com múltiplas mortes sempre nos mesmos CEPs”, declarou.
Ainda de acordo com Tailane Muniz, as políticas de segurança pública devem priorizar a proteção da vida e a redução da letalidade, evitando a naturalização das mortes como resultado positivo das operações.
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