Centro cirúrgico é interditado após empresária morrer durante cirurgias na Bahia; vítima foi sepultada nesta quinta
Segundo informações apuradas pelo Aratu On junto à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a interdição do centro cirúrgico do Hospital Vida ocorreu nesta quinta-feira (26)
Por Victor Hernandes.
O centro cirúrgico onde a empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, morreu após ser submetida a quatro cirurgias estéticas foi interditado cautelarmente em Ilhéus, no litoral sul da Bahia. A vítima foi sepultada nesta quinta-feira (26), em Ituberá, no Baixo Sul baiano.

Segundo informações apuradas pelo Aratu On junto à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a interdição do centro cirúrgico do Hospital Vida ocorreu nesta quinta-feira (26). De acordo com as informações, o local estaria funcionando sem alvará sanitário e apresentava algumas irregularidades. Após a interdição, o espaço deverá passar por novas vistorias periódicas realizadas pelas autoridades sanitárias.
Adriele morava nos Estados Unidos e estava no Brasil durante as férias. Ela foi submetida a quatro procedimentos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. A cirurgia começou por volta das 10h de terça-feira (25).
Quem é o cirurgião plástico apontado como responsável pelos procedimentos
O cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback é apontado pela família como responsável pelos procedimentos estéticos realizados em Adriele da Silva Pinto. Segundo familiares, após a cirurgia, o médico deixou o hospital. A família também afirma que os perfis do profissional nas redes sociais foram desativados.
Rossini Ruback já havia sido alvo de denúncias públicas feitas por pacientes em 2023. Na época, dezenas de mulheres relataram complicações após cirurgias plásticas realizadas pelo médico e por Gilberson Vanderlei.
Nas redes sociais, Rossini Ruback acumula mais de 54 mil seguidores e divulga atuação em procedimentos como Lipo UltraHD, abdômen, ArgoPlasma, Vaser, Vibrofit e Piezo.
Médico foi denunciado por pacientes em 2023
As denúncias foram divulgadas pelo Fantástico e envolviam pacientes do Rio de Janeiro e da Bahia. Segundo a reportagem exibida na época, pelo menos 40 pacientes acusavam Rossini de supostos erros médicos e resultados insatisfatórios em procedimentos cirúrgicos. Entre os relatos estavam casos de pacientes que precisaram passar por novas cirurgias após complicações. Também foram apresentadas denúncias de procedimentos que teriam sido realizados sem anestesia.
A acusação foi negada pela defesa do médico. Em nota enviada ao Fantástico em 2023, o advogado de Rossini Ruback afirmou que eram falsas as acusações relacionadas à realização de cirurgias sem anestesia.
Ainda segundo a reportagem, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que Rossini Ruback tinha registro profissional regular e especialização em cirurgia plástica.
Relembre o caso
O procedimento realizado em Adriele começou por volta das 10h da última terça-feira (25). Conforme relatos da família, até as 18h os parentes ainda não haviam recebido informações sobre o andamento da cirurgia. Durante a madrugada, familiares foram até o hospital em busca de notícias e, segundo eles, receberam a informação de que Adriele não havia resistido aos procedimentos.
O tio da empresária teria conseguido entrar no centro cirúrgico e encontrado o corpo da jovem. Imagens feitas no local mostram a sala com gazes, vestígios de sangue e materiais espalhados. A família também afirma que o médico responsável pelos procedimentos, Rossini Tebaldi Ruback, deixou o hospital após a cirurgia e que os perfis dele nas redes sociais foram desativados.
A Polícia Civil informou que a 1ª Delegacia Territorial (DT/Ilhéus) apura as circunstâncias da morte de Adriele da Silva Pinto. A corporação afirmou que oitivas e diligências seguem em andamento para o esclarecimento dos fatos.
Já o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que não há sindicância ou processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica que cite o médico em questão. O conselho informou ainda que, conforme o Código de Processo Ético-Profissional (CPEP), os resultados das denúncias anteriormente registradas na entidade foram comunicados às partes envolvidas, com preservação do sigilo processual.
Outro caso envolvendo médico
Outro episódio envolvendo médico assustou baianos nesta quinta-feira (27). O médico urologista Samuel Juncal está entre os alvos da Operação Brilho do Amanhã, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia nesta quinta-feira (27). A ação investiga crimes relacionados à pornografia infantil e estupro de vulnerável e mobiliza cerca de 120 policiais em diferentes municípios baianos.
Samuel Juncal atua como médico urologista, com foco na área de saúde do homem. O profissional possui cerca de 2 mil seguidores nas redes sociais e, em seus perfis, apresenta informações relacionadas à atuação médica.
O médico tem formação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de especializações e experiências acadêmicas no Brasil e no exterior. Entre as áreas de formação e pesquisa estão cirurgia minimamente invasiva, cirurgia laparoscópica e robótica e urologia.
Juncal também possui mestrado em Patologia e doutorado em urologia, com experiência acadêmica vinculada a instituições brasileiras e estrangeiras. Ele atua ainda como professor assistente do Departamento de Cirurgia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

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