Coordenador da Sefaz preso na Operação Khalas é conselheiro do Vitória
Gouveia também ocupava a função de auditor fiscal e coordenador do segmento de Petróleo e Combustíveis (Copec) da Secretaria da Fazenda (Sefaz).
Por Victor Souza.
O servidor público Olavo Gouveia Oliva, preso na última quarta-feira (20), durante a Operação Khalas, integra o grupo de conselheiros do Esporte Clube Vitória. A informação foi acessada pelo Aratu ON, nesta sexta-feira (22).

Olavo faz parte do grupo do Conselho Deliberativo do clube. Além disso, como mostrado pelo site, Gouveia ocupava a função de auditor fiscal e coordenador do segmento de Petróleo e Combustíveis (Copec) da Secretaria da Fazenda (Sefaz).
Segundo as investigações, Olavo ocupava um cargo estratégico na fiscalização do setor de combustíveis e é apontado como um dos principais alvos da nova fase da operação. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam cerca de R$ 250 mil em espécie, entre reais e moedas estrangeiras, que estavam em posse do servidor.
Outra presa na operação foi Carolane, esposa do empresário Jailton, conhecido como “Jau”. Ele já havia sido preso em 2025 durante a Operação Primus, considerada a origem das investigações que culminaram na ação desta quinta-feira.
De acordo com os investigadores, a organização criminosa atuava na ocultação da importação de insumos químicos utilizados na fabricação irregular de combustíveis. O grupo contaria, supostamente, com a participação de agentes públicos e operadores financeiros para manter o esquema.
Além das prisões, a Operação Khalas cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento cautelar de dois servidores públicos municipais. As ações ocorreram simultaneamente em Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Candeias.
A reportagem procurou a assessoria do Vitória para uma possível manifestação. No entanto, a equipe de comunicação do clube informou que não comenta assuntos envolvendo o conselho, já que esses membros não são considerados funcionários do clube. Já o presidente do conselho disse também que não irá se pronunciar, já que o assunto não envolve o Vitória.
A operação
Três pessoas foram presas, entre elas, um servidor público estadual, na manhã desta quinta-feira (21), durante a deflagração da “Operação Khalas”, realizada pela Força-Tarefa de combate à sonegação fiscal na Bahia.
A ação investiga um esquema de corrupção e crimes tributários no setor de combustíveis que teria causado prejuízos estimados em R$ 400 milhões.
Além das prisões preventivas, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Candeias. Outros dois servidores públicos municipais de Candeias foram afastados dos cargos por decisão judicial.
As investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), Polícia Civil e Inspetoria Fazendária de Investigação e Pesquisa (Infip) apontam a existência de uma macroestrutura criminosa que utilizava o pagamento de propina a servidores públicos estaduais e municipais para obter proteção e facilidades ilegais.
Segundo os órgãos de investigação, o grupo ocultava a importação de insumos como nafta e solventes químicos, desviados posteriormente para unidades clandestinas de mistura de combustíveis, conhecidas como “batedeiras”.
A operação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf), do MPBA, em conjunto com a Inspetoria Fazendária de Inteligência e Pesquisa (Infip/Sefaz) e o Núcleo Especializado de Combate aos Crimes Econômicos e Contra a Ordem Tributária (Neccot/Draco), da Polícia Civil.
A “Operação Khalas” é um desdobramento das investigações iniciadas na “Operação Primus”, deflagrada em 16 de outubro de 2025, e tem como objetivo desarticular o núcleo operacional e financeiro da organização criminosa.
Participaram da ação oito promotores de Justiça, 26 delegados de Polícia, 90 policiais civis, dois servidores do Fisco Estadual, oito servidores do MPBA e dez policiais da Companhia Independente de Polícia Fazendária (Cipfaz).

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