'Estava dentro de casa', dizem moradores após morte de criança em ação policial
Moradores, familiares e amigos de Davi, de 12 anos, realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira (1º), na Avenida Vasco da Gama, em Salvador
Por Da redação.
Moradores, familiares e amigos do menino Davi, de 12 anos, realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira (1º), na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, após a morte da criança durante uma ação policial na região. A via foi parcialmente interditada e houve registro de outra manifestação em um ponto mais alto do bairro.
O ato foi marcado por forte comoção. A mãe de Davi, que perdeu o único filho, passou mal durante o protesto e precisou ser amparada por moradores após um momento de desespero. Segundo relatos de testemunhas, ela chegou a correr em direção à pista e foi contida por vizinhos.

De acordo com moradores, o menino estava dentro de casa, sentado no sofá, quando foi atingido por um disparo durante uma troca de tiros entre policiais militares e um homem identificado como “Mavi”, apontado pela comunidade como integrante de um grupo criminoso. O suspeito teria invadido o imóvel ao tentar fugir da polícia e fazer reféns. Ele também morreu na ação.
Ainda segundo os relatos, outras duas pessoas foram baleadas dentro da residência: a tia de Davi, Islane Alexandrino, atingida no ombro, e outra criança. Islane estava com um bebê de quatro meses no colo no momento dos disparos. Ela foi socorrida e encaminhada para uma unidade de saúde.
Durante a manifestação, moradores questionaram a versão inicial apresentada sobre o confronto e cobraram esclarecimentos sobre a origem do disparo que matou o menino.
“Ele estava dentro de casa. Cadê a arma que dizem que tinha? A gente quer resposta”, afirmou uma manifestante.

Outro morador disse que a comunidade não é contra a atuação da polícia, mas pede mais cautela nas operações. “Aqui mora gente de bem. Eles precisam saber entrar e sair”, declarou.
Os protestantes também criticaram a demora por respostas das autoridades e pediram justiça pela morte de Davi. O caso deve ser investigado para apurar as circunstâncias da ação e a responsabilidade pelo disparo que atingiu a criança.
Violência na Bahia
A Bahia apareceu como o segundo estado mais violento do Brasil em 2024, de acordo com dados do Anuário de Segurança Pública, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o ranking, o Amapá lidera a lista dos estados mais violentos do Brasil, com uma taxa de 45,1 mortes por 100 mil habitantes. Em seguida, aparecem a Bahia (40,6), Ceará (37,5), Pernambuco (36,2) e Alagoas (35,4).
O estudo aponta que, em 2024, foram registrados 6.036 homicídios na Bahia, em números absolutos, o que representa uma taxa de 40,6 casos a cada 100 mil habitantes. Mas, apesar da posição no ranking, a Bahia apresentou uma redução de 8,4% em relação ao anuário anterior, de 2023, quando a taxa de mortalidade era de 44,4 por 100 mil habitantes.
Ainda segundo o estudo, Salvador é a segunda capital brasileira com mais mortes violentas intencionais (MVI) a cada 100 mil habitantes. A capital baiana fica atrás apenas do Macapá, no Amapá.
De acordo com o documento, a taxa de mortes violentas intencionais em Salvador, no ano passado, foi de 61, enquanto em Macapá a taxa foi de 71. As MVI contemplam mortes de policiais civis e militares em situações de confronto, além de mortes decorrentes de intervenção policial (em serviço e fora de serviço).
Comparando com 2022, no entanto, Salvador apresentou redução no total de MVI - de 65,2 para 61,0, o que representa uma diminuição de 6,5%. A diferença é acima da média nacional (3,4%).
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