Justiça mantém prisão de PM suspeito de matar a esposa em Salvador
Diante dos elementos apresentados a Justiça entendeu que permanecem os requisitos para a manutenção da prisão preventiva
Por Taís Rocha.
O Tribunal de Justiça da Bahia recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou réu por feminicídio o policial militar João Marcelo Araújo Hermano, suspeito de matar a esposa, a também policial militar Celeste Martins Oliveira do Nascimento, de 39 anos, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro do Barbalho, em Salvador.
Na mesma decisão, assinada na última sexta-feira (17), um magistrado da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador manteve a prisão preventiva do policial e destacou que há indícios de que ele tentou manipular provas após o crime.
De acordo com o documento, a denúncia atende aos requisitos legais e está amparada por elementos que demonstram a materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, justificando o prosseguimento da ação penal.

Com isso, João Marcelo passa à condição de réu e foi citado para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. O policial vai responder por feminicídio, com qualificadora por recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, além do crime de fraude processual.
Após analisar o pedido do Ministério Público para manutenção da prisão preventiva, o magistrado afirmou que permanecem os fundamentos que justificam a medida cautelar.
Manipulação de provas
Ainda no documento, o juiz destacou a gravidade da conduta atribuída ao policial, apontando que ele teria efetuado um disparo de arma de fogo na parte superior da cabeça da companheira. Também ressaltou haver indícios de que, após o crime, o acusado alterou a cena para dificultar as investigações.
De acordo com a Justiça, João Marcelo teria queimado o celular da vítima e colocado o aparelho dentro de um saco plástico com água, em uma tentativa de manipular provas. Diante desses elementos, a Justiça entendeu que permanecem os requisitos para a manutenção da prisão preventiva, com o objetivo de garantir a ordem pública.
Relembre o crime
A Polícia Civil confirmou a prisão em flagrante do policial militar suspeito de matar a esposa, a cabo da PM Celeste Martins Oliveira do Nascimento, de 39 anos, em uma residência no bairro do Barbalho, em Salvador.
O investigado apresentou-se espontaneamente na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), acompanhado de uma advogada, e permanece custodiado à disposição da Justiça.
O crime ocorreu na tarde do dia 3 de julho de 2026. Conforme as investigações, a vítima foi encontrada morta dentro do imóvel onde o casal morava, com marcas de disparos de arma de fogo. Após o crime, o suspeito deixou o local, mas, horas depois, compareceu ao DHPP.
Em nota, a PM lamentou a morte da cabo Celeste Martins Oliveira do Nascimento, manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de farda e reafirmou o compromisso da instituição com a legalidade, a preservação da vida e a rigorosa apuração dos fatos.

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