'Racismo não se cria', diz delegado após prisão de turista por injúria racial

Caso da turista do RS contra ambulante no Pelourinho: 'Racismo não se cria', diz delegado após prisão de turista por injúria racial

Por João Tramm.

O caso de injúria racial envolvendo uma turista vinda do Sul do país, gerou repercussão até de agentes da polícia. 'Racismo não se cria', diz delegado após prisão de turista por injúria racial ocorrido no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador. A fala foi feita pelo titular da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), delegado Ricardo Amorim

O vídeo foi publicado nas redes sociais depois da prisão da mulher, suspeita de ter proferido ofensas contra uma vendedora ambulante negra durante um evento realizado na localidade.

'Racismo não se cria', diz delegado após prisão de turista por injúria racial

'Racismo não se cria', diz delegado após prisão de turista por injúria racial

Na gravação, o delegado informou que, mesmo estando de férias, retornou à unidade policial para dar andamento às apurações relacionadas ao crime.

“Voltei aqui só para dar um recado, inclusive estou de férias, mas passei na delegacia simplesmente para agilizar a investigação de um crime de racismo praticado por uma mulher que veio do Sul e cometeu racismo aqui em Salvador.”

Ricardo Amorim também direcionou a mensagem a pessoas que planejam visitar a capital baiana, especialmente no período de verão e durante o Carnaval.

“Todas as pessoas que pensam em vir para Salvador, dizem que querem sentir a energia do baiano e conhecer a nossa cultura, mas no fundo vêm para cometer racismo, não venham.”

O delegado ainda destacou que a Bahia conta com unidades especializadas para o enfrentamento de crimes raciais e reforçou que atitudes desse tipo não serão aceitas.

“Se vier para Salvador, ainda vai correr o risco de se deparar com um delegado preto ou um investigador preto. Aqui o racismo não se cria. Se tiver esse pensamento, não venha para Salvador.”

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Entenda o caso

A comerciante Hanna Rodrigues, de 26 anos, vítima de injúria racial por parte da turista gaúcha Gisele Madrid Spencer Cesar, 50, contou ao Aratu On, com exclusividade, detalhes de como o ataque racista aconteceu.

Segundo Hanna, tudo começou no momento em que um grupo de clientes do bar pediu cerveja. "Quando fui até o bar, ela já estava chamando os atendentes de lixo. Peguei o produto do cliente, passei ao lado dela, e ela falou: 'Mais um lixo'. [...] Depois, eu voltei, e perguntei: 'A senhora me chamou de quê?'. E ela: 'De lixo'. E eu falei: lixo é você", relatou. Leia a matéria completa neste link!

Turista acusada de racismo diz ser filha de Iemanjá: 'Sangue gaúcho, amor baiano'

Em publicações no Instagram, a suspeita, que se diz criadora de conteúdo para viajantes, diz ser "Baianucha": "Sou baianucha, sangue gaúcho, amor baiano". Gisele, que publica fotos na capital baiana há anos, está em Salvador pelo menos desde a Lavagem do Bonfim, e postou selfies ao lado de baianas de acarajé e Filhos de Gandhy, com legendas como: "O que é que a baiana tem" e "Salvador, meu amor".

A gaúcha se diz Filha de Iemanjá, e também já fez publicação na Festa de Iemanjá na capital baiana, e escreveu: "Homenagem à minha mãe Yemanjá Odoya" e "Uma boa filha à casa retorna".

Turista gaúcha Gisele Madrid Spencer Cesar, já visitou a capital baiana diversas vezes.Foto: redes sociais

 

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