Suspeito de matar tripulante de companhia aérea é preso na Bahia
Tripulante de companhia aérea teria sido vítima do "tribunal do crime" em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia
Um homem foi preso na terça-feira (13), suspeito de envolvimento na morte do tripulante da companhia aérea Azul, Fernando Preslei Oliveira Chaves, de 32 anos. O corpo da vítima foi encontrado em janeiro de 2024, na orla de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. O crime, que vinha sendo investigado há quase um ano, não tinha nenhum suspeito preso até então.

O corpo da vítima foi localizado em frente a uma cabana de praia com perfurações de arma de fogo na cabeça e nítidos sinais de tortura. Próximo ao cadáver, a perícia encontrou uma motocicleta e lençóis manchados de sangue.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o local onde o corpo foi achado indica que a execução ocorreu em outro endereço. Segundo informações iniciais da TV Santa Cruz, Fernando teria sido vítima de um "tribunal do crime" conduzido pela facção MPA, após supostamente descumprir regras da organização.
À época do crime, a Azul lamentou a perda do funcionário, que integrava o quadro da empresa desde 2019. O suspeito detido permanece custodiado na Delegacia Territorial de Porto Seguro à disposição da Justiça.
Ascensão do crime organizado na Bahia
Na Bahia, ao menos 14 facções criminosas disputam o controle do tráfico de drogas, da juventude e, principalmente, do território. A disputa pelo controle das comunidades e das rotas mais estratégicas de Salvador sempre foi de interesse das quadrilhas locais, mas, desde 2018, a capital entrou em um novo estágio de conflito: uma disputa de aliança com facções nacionais como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), organizações com ramificações em todo o país e até em países fronteiriços, como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela.

Facções criminosas e o poder de Estado
O professor Luciano Pontes, especialista em Direito Penal e Segurança Pública, destaca que essa expansão das facções nacionais ocorre num cenário marcado pela ausência do Estado em áreas periféricas:
“Salvador apresenta bairros periféricos grandes, em relevos acidentados, com população carente em extrema pobreza. O crime organizado adentra e acaba fazendo o papel do Estado, ordenando o território e impondo suas próprias leis, contrariando o Estado democrático de direito.”
Pontes ainda menciona como os criminosos já se organizam como Estado, a exemplo do “Tribunal do Crime”, onde os próprios aliados fazem juízo de valor das ações dos integrantes.
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