Greve dos caminhoneiros: o que se sabe sobre possível paralisação nacional
Adesão nesta sexta deve ser decisiva para o futuro da greve dos caminhoneiros: o que se sabe sobre possível paralisação nacional
Por João Tramm.
A decisão sobre uma paralisação nacional deve ser tomada ainda na noite desta quinta-feira (19), em meio à insatisfação com o valor do frete e os sucessivos aumentos no preço do combustível. Segundo apuração do Aratu On, país está em eminência de uma nova greve dos caminhoneiros: o que se sabe sobre possível paralisação nacional.
Em nível regional, os trabalhadores baianos do setor aguardam um posicionamento consolidado do Sudeste, especialmente de São Paulo, onde o movimento já apresenta maior intensidade desde a tarde de hoje. A articulação ocorre principalmente por meio de grupos de WhatsApp.
A expectativa é que, caso a paralisação seja confirmada, a mobilização comece a ganhar força no estado a partir desta sexta-feira (20). A última greve dos caminhoneiros aconteceu em em maio de 2018, gerando um impacto estimado de R$15 bilhões na economia brasileira.

Greve dos caminhoneiros: o que se sabe sobre possível paralisação nacional
Em Salvador, um protesto realizado na manhã desta quinta-feira (19) já deu sinais da insatisfação da categoria. A manifestação impactou o trânsito na BR-324, no km 616, por volta das 8h50, no sentido crescente.
Em São Paulo, caminhoneiros relatam redução no fluxo de viagens e maior adesão ao movimento ao longo do dia. A avaliação entre os profissionais é de que o estado deve puxar a decisão nacional.
“Hoje só em São Paulo está mais intenso. Provavelmente amanhã na Bahia. Hoje ficou de começar em São Paulo, nesta tarde. A partir de amanhã na Bahia. Hoje à noite vamos decidir”, relatou o caminhoneiro conhecida como Chico.
Em entrevista ao Aratu On, Chico afirmou que não trabalhou ao longo de toda a semana devido à falta de retorno financeiro nas viagens: “Eu não viajei essa semana. Estou parado”, disse.
Outros profissionais ouvidos pela reportagem relataram situação semelhante, apontando que os custos elevados, principalmente com combustível, têm inviabilizado as viagens.
Apesar da decisão formal ainda não ter sido tomada, muitos já se preparam para aderir ao movimento. “Vamos aderir. Já comprei 500 pães para a gente se mobilizar nas estradas”, afirmou Chico.
Divisão na categoria
Nem todos os caminhoneiros, no entanto, apoiam a paralisação. Há quem tema os impactos negativos de uma nova greve: “Sou contra a greve. Piora em tudo, porque eu vivo de caminhão”, afirmou Gil, outro motorista ouvido pela reportagem.
Ele reconhece, porém, a dificuldade enfrentada pela categoria. “Do jeito que está não dá para trabalhar. Eu mesmo vou para casa. O óleo teve três aumentos, os postos estão aumentando”, disse.
Apesar da divergência, há consenso sobre a necessidade de mudanças. “Aumentar o frete e baixar o óleo”, resumiu.
Principais reivindicações
Entre as principais pautas está a revisão da tabela mínima de frete, definida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os caminhoneiros criticam o reajuste considerado insuficiente diante da alta do diesel.
O combustível acumulou aumento, inclusive na Refinaria de Mataripe que abastece o estado, de cerca de 28% no último mês, enquanto o frete teve reajuste de apenas R$ 0,10 por quilômetro rodado. A alta acontece em meio ao choque do petróleo consequente da guerra no Irã.
“Em uma viagem que faço ao Pará, tive um aumento de R$ 685 nos custos. E o frete aumentou só R$ 21”, disse Chico, que customa viajar ao estado no Norte do país. A categoria também critica a falta de diálogo com a ANTT.
Mesmo reconhecendo que o preço do combustível envolve fatores internacionais, como conflitos no exterior, os caminhoneiros cobram soluções internas. “A questão do combustível é mundial, mais difícil de resolver. Mas o frete é uma questão interna, que pode mudar e aliviar”, disse.
Nos últimos dias, o governo federal anunciou medidas para tentar conter a alta do diesel, como a redução de tributos e subsídios ao combustível. Também houve apelo para que os estados reduzam o ICMS, o que ainda não teve adesão significativa.
Além disso, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que empresas que descumprirem a tabela mínima de frete poderão sofrer sanções. “A empresa que não cumpre a tabela vai poder ser impedida de contratar frete”, disse.
Apesar das iniciativas, caminhoneiros avaliam que as ações ainda não surtiram efeito prático. “O decreto do subsídio ao diesel não adiantou. Aumentou agora de novo”, criticou um motorista.
Relatos de paralisação e falta de diesel variam
Informações que circulam em grupos de caminhoneiros no Sudeste, às quais a reportagem teve acesso, indicam que pontos estratégicos já enfrentam impactos.
Há relatos de paralisação no Porto de Santos e em regiões de Santa Catarina. Segundo os motoristas, a orientação é evitar bloqueios de rodovias, mas reduzir ou suspender as atividades.
“O Porto de Santos está parado. Estão aconselhando não parar a rodovia. Então estamos com o caminhão parado em casa”, diz uma das mensagens.
Também há queixas sobre dificuldade de abastecimento. “Não tem nem diesel. Aqui acabou tudo mesmo”, relatou outro caminhoneiro na região de Santos.
Já outros lugares do país ainda não apresentam qualquer movimentação: "Eu estou aqui em Campos, no interior do Rio. Aqui não tem nada, não. Não começou nada, não. No Rio também nada. Se tivesse os grupos que estariam falando. Com certeza não aconteceu nada aqui no Rio, nem no interior", afirmou relatou um dos caminhoneiros no grupo.

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