Mais à esquerda ou à direita? Veja como as eleições de 2026 mudaram a ALBA, Câmara e Senado
As eleições realizadas neste domingo (4) redesenharam a composição política da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e do Congresso Nacional
Por Bruna Castelo Branco.
Mais à esquerda ou à direita? As eleições realizadas neste domingo (4) redesenharam a composição política da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e do Congresso Nacional para a próxima legislatura. O resultado mostra movimentos diferentes entre os dois espaços: enquanto a maior bancada da ALBA continuará sendo formada pela Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, o PL ampliou sua presença no Congresso e terá as maiores bancadas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.
A nova configuração passa a valer a partir de fevereiro de 2027, quando deputados estaduais, deputados federais e senadores eleitos tomam posse.
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ALBA elege maior bancada de esquerda, mas composição é fragmentada
Na Bahia, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, conquistou 20 das 63 cadeiras da Assembleia Legislativa. É a maior bancada da Casa.
Na sequência aparecem o PSD, com nove deputados; a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, com oito; e o PL, com sete.

Também foram eleitos cinco deputados pelo Avante, cinco pelo PDT, quatro pelo Republicanos, dois pelo MDB, dois pela Federação PSDB/Cidadania e um pela Federação PSOL/Rede.
A distribuição mostra que a ALBA continuará dividida entre diferentes partidos e federações. A Federação Brasil da Esperança, de perfil de esquerda, terá a maior bancada isolada, com 20 parlamentares. Já o PL, partido identificado com a direita, terá sete cadeiras.
A composição, no entanto, não pode ser resumida apenas à divisão entre esquerda e direita. Partidos como PSD, MDB, PDT, União Brasil e PP ocupam posições que podem variar conforme o tema e a composição de alianças dentro do Legislativo.
Câmara terá PL como maior bancada
No Congresso Nacional, a mudança é mais evidente. O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027. O número representa 24 parlamentares a mais do que a bancada eleita pelo partido em 2022.
A segunda maior bancada será a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, com 88 deputados. Na sequência aparecem a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, com 87; o PSD, com 43; e o Republicanos, com 41.

A composição projetada pela Câmara fica assim:
- PL: 121
- Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV): 88
- Federação União Progressista (União Brasil/PP): 87
- PSD: 43
- Republicanos: 41
- MDB: 36
- Podemos: 27
- PSOL/Rede: 15
- PSB: 15
- PSDB/Cidadania: 11
- Novo: 10
- Solidariedade/PRD: 7
- PDT: 6
- Avante: 5
- Missão: 1
Os números divulgados pela Câmara são baseados na apuração das eleições e correspondem à composição projetada para a legislatura que começa em fevereiro de 2027.
A força do PL também aparece na comparação com 2022. Naquele ano, o partido elegeu 99 deputados. Agora, chegará a 121.
Ao mesmo tempo, a Federação Brasil da Esperança continuará entre as principais forças da Câmara, com 88 parlamentares. O cenário, portanto, não será de domínio de uma única corrente política: as bancadas de centro e de centro-direita também terão peso relevante nas votações e na formação de maiorias.
E o Senado?
A mudança também aparece no Senado, onde 54 das 81 cadeiras foram disputadas em 2026. Isso ocorre porque a renovação da Casa é alternada: em uma eleição são escolhidos dois terços dos senadores e, na seguinte, um terço.
O PL elegeu 19 senadores e deverá chegar a 28 integrantes na composição de 2027, considerando os nove parlamentares do partido que já possuem mandato até 2031.

O PT terá nove senadores, enquanto o MDB ficará com oito. A Federação União Progressista terá 11 parlamentares. O PSD terá cinco; o PSB, quatro; o Novo, três; PSDB e Podemos, dois cada; e Rede e PDT, um cada.
O resultado representa uma mudança importante na correlação de forças do Senado. Segundo a Agência Senado, caso a projeção se confirme na posse, o PL terá a maior bancada partidária da Casa no início de 2027 desde a promulgação da Constituição de 1988.
Bahia elege dois senadores do PT
Na Bahia, os dois nomes escolhidos para o Senado foram Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT). Wagner foi reeleito, enquanto Rui Costa conquistou o primeiro mandato como senador.
Com isso, a Bahia será um dos estados que terá os dois senadores eleitos pelo mesmo partido. A situação é diferente da registrada em cinco unidades da Federação — Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina — onde os dois eleitos foram do PL.

Afinal, o Congresso ficou mais à direita?
O resultado das urnas fortaleceu a presença do PL, que passou a ter a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado.
Ao mesmo tempo, a composição do Congresso continua marcada pela presença de partidos de centro e por bancadas de esquerda com tamanho expressivo. Na Câmara, a Federação Brasil da Esperança terá 88 deputados, enquanto a Federação União Progressista terá 87 e PSD e Republicanos também ficarão acima de 40 parlamentares.
Na prática, a nova composição indica uma maior presença da direita, mas não uma concentração do Congresso em apenas um campo político. O tamanho das bancadas também significa que a formação de maiorias continuará dependendo de acordos entre diferentes partidos e federações.
Renovação também muda o perfil das Casas
Além da distribuição partidária, as eleições alteraram a composição pessoal do Legislativo.
Na Câmara dos Deputados, 183 dos 513 parlamentares eleitos estarão em primeiro mandato, o equivalente a 35,67% da Casa. Outros 301 foram reeleitos, segundo levantamento divulgado pela Câmara.
Na Bahia, a renovação da bancada federal será de 28,2%: dos 39 deputados federais eleitos, 11 não ocupavam a cadeira na legislatura anterior, enquanto 28 foram reeleitos.
Na ALBA, a nova legislatura também terá mudanças importantes. A composição será formada por 63 parlamentares, com a Federação Brasil da Esperança como maior bancada, seguida por PSD, União Progressista e PL.
Quando os eleitos assumem?
Os deputados federais e estaduais e os senadores eleitos em 2026 tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027.
A data é diferente da posse do presidente da República. A partir das eleições de 2026, o chefe do Executivo federal passará a tomar posse em 5 de janeiro, enquanto os governadores serão empossados em 6 de janeiro. A mudança foi estabelecida pela Emenda Constitucional 111/2021.
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