Léo Estakazero: festas juninas privadas acabaram por mudança de comportamento

Em entrevista ao videocast Aratu Tá On Léo Estakazero afirma: festas juninas privadas acabaram por mudança de comportamento

Por João Tramm.

Em entrevista ao videocast Aratu Tá On, Léo Estakazero afirmou que as festas juninas privadas acabaram por mudança de comportamento. A fala foi feita nesta sexta-feira (19), quando o tradicional forrozeiro ccomentou do cenário das festas de São João no estado da Bahia. 

Questionado sobre a possibilidade de uma retomada das festas privadas, Léo não descartou completamente a ideia, mas ponderou que ela só seria viável em um formato diferente. “É difícil falar. Talvez algo mais nostálgico, mais voltado para a essência do São João, mas do jeito que era antes eu acho complicado”, avaliou.

 Leo Estakazero diz que festas juninas privadas acabaram por mudança de comportamento

As tradicionais festas de camisa, que marcaram gerações durante os festejos juninos na Bahia, perderam força ao longo dos últimos anos. Para o cantor Léo Estakazero, o fenômeno está ligado tanto à mudança nos hábitos do público quanto ao crescimento das festas públicas realizadas pelos municípios.

Em entrevista ao Aratu Tá On, o artista relembrou que acompanhou de perto o surgimento e a ascensão dos principais eventos privados de São João. Segundo ele, festas como Forró do Piu-Piu, Forró do Bosque, Forró do Lago, Forró do Sfrega e Forró Coffee fizeram enorme sucesso por mais de duas décadas, algo considerado raro no mercado de entretenimento.

“As festas de camisa foram um grande sucesso. Eu toquei em todas elas e vi surgirem uma a uma. Elas duraram cerca de 20 anos, algo muito acima da média para eventos desse tipo”, afirmou.

De acordo com Léo, inicialmente esses eventos funcionavam como complemento às programações das praças públicas. Realizadas durante o dia, surgiram a partir de encontros em fazendas e confraternizações entre amigos que passaram a ganhar estrutura profissional e atrações de grande porte.

Com o passar do tempo, porém, as festas cresceram, passaram a disputar espaço com os festejos municipais e incorporaram artistas de diversos gêneros musicais. O aumento dos custos de produção também contribuiu para o enfraquecimento do modelo.

Outro fator apontado pelo cantor foi a expansão do São João nos municípios baianos. Segundo ele, o número de cidades que promovem grandes festejos aumentou significativamente nas últimas décadas, levando atrações nacionais para eventos gratuitos.

“Começou a ficar uma concorrência muito desleal. A pessoa se perguntava por que comprar uma camisa para ir a uma festa privada se o mesmo artista estava tocando de graça em uma cidade ao lado. Isso inviabilizou completamente muitas dessas festas”, explicou.

Além da questão econômica, Léo acredita que houve uma transformação no comportamento do público. Para ele, as novas gerações passaram a buscar experiências mais confortáveis e voltadas para a exposição nas redes sociais.

“A galera não quer mais sair de tênis, short e camisa igual a todo mundo. Hoje as pessoas querem camarote, um espaço mais instagramável. Não querem tomar chuva na pista, nem enfrentar aquela confusão que existia antigamente”, avaliou.

Na visão do cantor, essa mudança é semelhante ao que ocorreu no Carnaval de Salvador, onde os camarotes ganharam espaço enquanto os blocos tradicionais perderam força. Apesar da nostalgia em torno das festas de camisa, ele considera difícil um retorno do formato nos moldes em que ficou conhecido.

Atualmente, segundo Léo, uma das poucas exceções é o tradicional Forró do Chico Mia, realizado em Ibicuí. Para o artista, o evento conseguiu sobreviver por preservar sua identidade e manter o forró como protagonista da programação.

Léo Estakazero: festas juninas privadas acabaram por mudança de comportamento

Aratu Tá On

O produto, apresentado pelo jornalista João Tramm, acontece todas as quartas e sextas, às 14h, e é transmitido pelo Youtube do Aratu On. Em mais de trinta episódios, o videocast já recebeu outros representantes do pagode, dentre elas a cantora A Dama. No papo, a artista chocou a audiência ao revelar que não escuta do gênero que ela canta.

Outros grandes nomes já estiveram nos estúdios do Aratu Tá On, como os humoristas Alda e Leozito. No episódio, a dupla revelou bastidores e spoilers do novo programa deles, ‘De Frente com o Capitão’.

Antes disso, o Aratu Tá On recebeu o ÀTTØØXXÁ, quando o trio comentou temas como a saída do antigo vocalista e o novo ciclo que o grupo vive. O programa também contou com a presença do influenciador Thiago Luna, que comentou sobre a probabilidade do seu time, o Vitória, ser campeão brasileiro e da Copa do Nordeste.

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