'Mulheres do mar' coreanas passam mais tempo debaixo d’água que todos os humanos, diz estudo
Formado em mais de 90% por mulheres com mais de 60 anos, o grupo é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO
Por Bruna Castelo Branco.
As Haenyeo, grupo de mulheres mergulhadoras da ilha de Jeju, na Coreia do Sul, passam mais tempo debaixo d’água do que qualquer outro ser humano já registrado. Conhecidas como “mulheres do mar”, elas praticam mergulho livre para coletar frutos do mar e podem permanecer até cinco horas por dia submersas, segundo estudo da Universidade de St Andrews, na Escócia, publicado nesta segunda-feira (18) na revista Current Biology. A história delas é tão impressionante e única que foi parar na série "Se a Vida Te Der Tangerinas", da Netflix. Saiba mais sobre a obra no final da matéria.
A pesquisa indica que as Haenyeo ficam mais tempo mergulhando do que vários mamíferos aquáticos, como castores, lontras-marinhas e leões-marinhos. O comportamento contraria as respostas fisiológicas esperadas em mamíferos durante o mergulho, que normalmente envolvem queda da frequência cardíaca e redução do fluxo sanguíneo para os músculos.
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Formado em mais de 90% por mulheres com mais de 60 anos, o grupo tem registros históricos de três mil anos e é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Para analisar suas características, os cientistas acompanharam sete Haenyeo em 1.786 mergulhos, utilizando dispositivos semelhantes aos empregados no monitoramento de mamíferos marinhos.
“É o mais próximo que se pode chegar de estudar uma sereia”, afirmou Chris McKnight, biólogo marinho e coautor do estudo, em entrevista à Science News.
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Os resultados mostraram que, em jornadas de duas a dez horas, as mergulhadoras passam em média 56% do tempo submersas — a maior proporção já registrada em humanos. A profundidade dos mergulhos variou entre 1 e 4,5 metros, com média de 11 segundos de duração e apenas 9 segundos de recuperação na superfície.
Contrariando as expectativas, as Haenyeo apresentaram frequência cardíaca elevada e apenas leves quedas nos níveis de oxigenação do cérebro e dos músculos. Segundo os pesquisadores, isso pode estar relacionado ao padrão de mergulhos curtos, frequentes e rasos.
O futuro dessa tradição, no entanto, está ameaçado pela idade avançada das mergulhadoras, cuja média é de 70 anos.
“Somos muito gratos por essas mulheres incríveis estarem dispostas a participar deste projeto. Elas nos acolheram em seus espaços de encontro, chamados bulteok, nas manhãs antes dos mergulhos (...) Elas nos deram muitos comentários que nos ajudaram a pensar sobre como interpretar os resultados e projetar estudos futuros. O humor e o espírito delas são tão contagiantes; nos sentimos incrivelmente sortudos por poder trabalhar em parceria com elas”, afirmou Melissa Ilardo, geneticista e coautora do estudo.
Se a Vida Te Der Tangerinas
Ambientada na década de 1950, na Ilha de Jeju, a série sul-coreana Se a Vida Te Der Tangerinas acompanha a trajetória de Ae-soon e Gwan-sik. Ela, uma jovem rebelde e sonhadora, deseja ser poetisa apesar de não poder frequentar a escola. Ele, reservado e leal, vive em silêncio o amor que sente pela protagonista.
A trama retrata os desafios de uma geração marcada por dificuldades, mesclando humor, emoção e superação. O contraste entre a positividade e o espírito livre de Ae-soon e a firmeza de Gwan-sik conduz a narrativa, que apresenta um romance marcado por cumplicidade e perseverança diante das adversidades da época.
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