Por que o Caboclo e a Cabocla são símbolos do 2 de Julho?
Muito além do famoso desfile cívico, o Caboclo e a Cabocla ocupam um lugar central nas celebrações do 2 de Julho
Por Bruna Castelo Branco.
Muito além do famoso desfile cívico, o Caboclo e a Cabocla ocupam um lugar central nas celebrações do 2 de Julho, data que marca a consolidação da Independência do Brasil na Bahia. As duas figuras representam a força, a resistência e a diversidade do povo baiano que lutou pela expulsão definitiva das tropas portuguesas em 1823.
Todos os anos, milhares de pessoas acompanham o cortejo que leva as imagens da Lapinha até o Campo Grande, transformando os personagens em um dos maiores símbolos cívicos e culturais da Bahia.
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O que representam o Caboclo e a Cabocla?
Ao contrário do processo de independência retratado apenas pelo Grito do Ipiranga, a conquista da liberdade na Bahia foi resultado de uma mobilização popular.
As tropas que enfrentaram os portugueses eram formadas não apenas por militares, mas também por indígenas, negros escravizados e libertos, sertanejos, vaqueiros e voluntários que participaram dos combates em diversas regiões do estado.
Nesse contexto, o Caboclo surgiu como uma representação desses heróis anônimos que participaram da guerra pela independência e ajudaram a consolidar a separação definitiva do Brasil de Portugal.

Símbolo da identidade brasileira
Durante o século XIX, a figura do caboclo passou a representar, no imaginário popular, a identidade de um Brasil livre do domínio colonial europeu.
Ao reunir características indígenas e da miscigenação que marca a formação do povo brasileiro, o personagem passou a ser um símbolo da resistência e da construção da identidade nacional, especialmente na Bahia.
Mais do que representar uma pessoa específica, o Caboclo simboliza o povo que lutou pela independência.
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E a Cabocla?
A imagem da Cabocla foi incorporada posteriormente às comemorações para destacar o protagonismo feminino durante a guerra da Independência da Bahia.
Ela homenageia mulheres que participaram diretamente da resistência contra as tropas portuguesas, como Maria Quitéria, considerada a primeira mulher a integrar oficialmente o Exército Brasileiro, e Joana Angélica, abadessa assassinada ao tentar impedir a invasão do Convento da Lapa por soldados portugueses.
Assim como o Caboclo, a Cabocla representa coragem, resistência e participação popular na luta pela liberdade.

Desfile
As imagens do Caboclo e da Cabocla, esculpidas em madeira no século XIX, são conduzidas em carros alegóricos durante o tradicional cortejo do 2 de Julho.
O desfile parte do Pavilhão da Lapinha e segue até a Praça do Campo Grande, onde as esculturas permanecem expostas para visitação pública.
Ao longo do percurso, é comum que moradores e visitantes prestem homenagens deixando flores, frutas e bilhetes com pedidos e agradecimentos aos pés das imagens.

'Vá chorar aos pés do caboclo'
A tradição de fazer pedidos e agradecer graças alcançadas diante da imagem do Caboclo deu origem a uma das expressões mais conhecidas de Salvador: "vá chorar aos pés do caboclo".
A frase, usada até hoje pelos baianos, faz referência ao costume popular de recorrer simbolicamente ao Caboclo em busca de proteção, esperança ou conforto, reforçando o papel da figura como um dos maiores símbolos da identidade e da memória histórica da Bahia.

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