Governo avança para nova etapa de requalificação da Praça do Reggae, em Salvador
A obra terá um custo superior a R$3 milhões da gestão estadual
Por Victor Souza.
O Governo da Bahia, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural, publicou, neste sábado (30), a abertura da licitação para contratar uma empresa responsável por requalificar a Praça do Reggae, no Pelourinho.

A obra terá um custo superior a R$3 milhões da gestão estadual. Entre as intervenções, estão previstas uma nova infraestrutura com maior acessibilidade, segurança e conforto para a realização de shows ou atividades culturais no local.
Além disso, o projeto da reforma ainda prevê a requalificação de mais de 500 m², onde serão instalados um novo palco, camarins, estúdio de podcast, sala de mídia, som e nova bilheteria. Sistemas de iluminação, áreas de convivência, mobiliário urbano, paisagismo também serão entregues no espaço.
O projeto
No último dia 11, o Ipac anunciou que o projeto de requalificação da Praça do Reggae foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), etapa considerada fundamental para o início das intervenções. A proposta foi construída a partir de diálogo com a comunidade e representantes do movimento reggae, buscando garantir que o espaço preserve sua identidade cultural e histórica.
Segundo o IPAC, o documento técnico foi elaborado no segundo semestre do ano passado, após uma consulta pública realizada em abril de 2025. O encontro reuniu moradores, artistas, produtores culturais e integrantes ligados ao movimento reggae, que contribuíram diretamente para a construção do projeto.
A iniciativa faz parte das ações do Governo do Estado voltadas à valorização e preservação de espaços de referência da cultura baiana. A proposta busca fortalecer a memória e a identidade cultural associadas ao reggae, manifestação que possui forte presença e relevância social na Bahia.
Com a requalificação, a expectativa é que a Praça do Reggae passe a oferecer melhores condições de uso para atividades culturais, encontros comunitários e manifestações artísticas, mantendo viva a tradição do gênero musical que se consolidou como símbolo de resistência, expressão popular e diversidade cultural no estado.
Local abandonado
Segundo relatos de comerciantes da região, ouvidos pelo Aratu On, a praça precisou ser lacrada, em maio de 2025 para coibir a entrada de usuários de drogas e de pessoas que descartavam entulho. Á época, o Ipac disse que a iniciativa recebeu 167 respostas de frequentadores, artistas, moradores e admiradores da cultura reggae, e serve como “baliza para o projeto de requalificação”, elaborado pela empresa Land5 Arquitetura e Urbanismo.
O empreendimento foi contratado em novembro de 2024, com valor de R$ 159,5 mil. O vínculo tem validade de seis meses e se encerrava em 11 de junho de 2025 e, por isto, conforme o instituto, ainda não há definição orçamentária, embora a instituição atue na captação de recursos para a obra.
Este processo, contudo, é realizado, ao menos, pela segunda vez. Em 2023, houve promessa de requalificação da Praça do Reggae. O contrato chegou a ser firmado entre Ipac e uma empresa, mas o vínculo foi rescindido unilateralmente, em abril de 2024.
Enquanto a reforma não é realizada, comerciantes e moradores são unânimes: o espaço é necessário para o Pelourinho. Proprietários de empreendimentos ouvidos pela reportagem, em condição de anonimato, relatam que o espaço viveu durante anos com a marginalidade. Lacrado para acesso do público, virou ambiente para descarte de lixo e acúmulo de sujeira, mato e insetos.

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