Siga o Aratu ON no GoogleE veja as notícias do Brasil e da Bahia com destaque nas suas buscas.
Adicionar

PF apura uso de dados de grávidas para fraudar benefício rural

Operação Raízes de Papel investiga se dados de grávidas foram usados com consentimento para obter benefício rural

Por Júlia Naomi.

A Polícia Federal investiga escritórios de advocacia no norte da Bahia por um suposto esquema de fraudes, que envolvem o uso de dados de grávidas para obtenção de benefício rural. Nesta segunda-feira (30), a corporação deflagrou a Operação Raízes de Papel, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas cidades de Juazeiro e Sobradinho.

PF investiga se uso de dados de grávidas para arrendamento de terreno e obtenção de benefício rural foi feito com consentimento. Foto: Ilustrativa / PF

Segundo Ulisses Uchaque, delegado-chefe da Polícia Federal em Juazeiro, em entrevista ao programa Nossa Voz, a ação teve como alvo escritórios jurídicos suspeitos de forjar arrendamentos de um mesmo terreno a várias requerentes, a fim de simular vínculos rurais inexistentes e obter salários-maternidade rural de forma indevida.

Escritórios de advocacia são investigados por fraudes no auxílio-maternidade

Segundo a PF, o alvo da investigação era um escritório de advocacia da região, que recrutava mulheres grávidas e as instruía a entrar com ações na justiça alegando serem trabalhadoras rurais, mesmo sem atuarem no campo.

Ainda de acordo com o delegado Ulisses Uchaque ao Nossa Voz, a Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Juazeiro detectou o ajuizamento massivo de ações previdenciárias com pedidos de salário-maternidade, que seguiam o mesmo padrão de solicitação. Os advogados apresentavam documentos de arrendamento de parte de um mesmo terreno, inclusive em períodos sobrepostos. 

A Polícia Federal percebeu a recorrência e encaminhou os indícios ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, que deu início ao inquérito. De acordo com Uchaque, os contratos usados para a solicitação do benefício rural eram “claramente forjados”.

Mais de 30 processos com indícios de fraude foram identificados. Foto: Divulgação / PF

“Verificamos contratos com datas absurdas. Em alguns, se fôssemos considerar as datas como verídicas, a trabalhadora teria apenas 14 anos quando supostamente assinou o documento de arrendamento rural. Em outros casos, uma das testemunhas era menor de idade. Esses elementos deixam claro que os contratos não têm validade e foram criados apenas para tentar fraudar o sistema”, declarou o delegado à entrevista.

Durante a operação, celulares e documentos foram apreendidos. O material será analisado pela PF, que espera reunir novas provas sobre a participação dos envolvidos.

+ Fraude do INSS: aposentados começam a receber ressarcimento em julho

PF investiga se dados de grávidas foram utilizados com consentimento para obter benefício rural

O inquérito também investiga o grau de participação das supostas beneficiárias, com o objetivo de entender se elas participaram conscientemente do esquema. “Essa é uma das frentes da investigação agora: verificar se os dados das mulheres foram utilizados sem conhecimento delas, ou se elas, de fato, participaram da fraude com o objetivo de obter vantagem indevida. Isso será apurado com base nas provas colhidas e nos depoimentos que ainda serão tomados”, explicou ao Nossa Voz.

Segundo o delegado, até agora foram identificados 30 processos com evidências de irregularidade, o que é considerado um ponto de partida para uma investigação mais ampla sobre fraudes no INSS na região.

Durante a entrevista ao programa, o delegado-chefe da Polícia Federal em Juazeiro fez um alerta sobre a judicialização em massa, sem fundamentação legal. “A judicialização em massa sem critério atrapalha não apenas o andamento da Justiça, mas também o acesso à Justiça de quem realmente precisa”, disse.

A operação está em fase preliminar e segue em andamento, sem a divulgação dos nomes dos investigados.

Leia mais: Suspeitos de fraudes em concursos públicos são investigados pelo MP-BA

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.