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PF prende suspeito e identifica 97 benefícios fraudados no INSS em Salvador; valor chega a R$ 3,5 milhões

PF prende suspeito e identifica 97 benefícios fraudados no INSS em Salvador. Pagamentos relacionados às fraudes chegam a aproximadamente R$ 3,5 milhões

Por Victor Hernandes.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (25), uma operação contra uma organização criminosa suspeita de inserir dados falsos nos sistemas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para obter benefícios previdenciários de forma fraudulenta em Salvador.

PF prende suspeito em operação contra fraude no INSS em Salvador

Até o momento, foram identificados 97 benefícios fraudados, que geraram pagamentos de aproximadamente R$ 3,5 milhões. Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. Segundo a PF, as investigações começaram após a identificação de movimentações consideradas suspeitas nos sistemas do INSS em uma das agências da Previdência Social na capital baiana.

A partir das primeiras informações, os investigadores passaram a buscar os integrantes da organização criminosa e a dimensionar a extensão dos prejuízos provocados pelas fraudes. A ação foi realizada em conjunto com a Coordenação-Geral de Inteligência do Ministério da Previdência Social.

O material apreendido durante o cumprimento dos mandados será analisado pela Polícia Federal. A investigação também deve buscar identificar outros possíveis envolvidos e verificar se existem novos benefícios obtidos de maneira irregular.

Outras operações contra benefícios fraudados no INSS 

Esta não é a primeira vez que a Polícia Federal realiza uma operação para investigar fraudes envolvendo benefícios previdenciários na Bahia. Em maio deste ano, a PF deflagrou uma operação para desarticular um esquema suspeito de manutenção e prorrogação indevida de benefícios previdenciários por incapacidade.

Na ocasião, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Salvador, Nazaré e Vera Cruz, expedidos pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia. Segundo as investigações, um servidor do INSS em Salvador era suspeito de realizar remarcações e adiamentos indevidos de perícias médicas. As alterações permitiriam a continuidade irregular do pagamento de benefícios sem a avaliação dos segurados por peritos oficiais.

A investigação identificou ainda casos em que os adiamentos teriam sido justificados com informações falsas, como suposta falta de atendimento médico, mesmo com o funcionamento normal das unidades. A análise de dados e quebras de sigilo bancário apontou movimentações financeiras suspeitas.

A PF suspeita que intermediários recebiam valores de beneficiários e repassavam parte dos recursos ao servidor responsável pelas alterações nos sistemas. Os investigados podem responder por crimes como inserção de dados falsos em sistema de informações e corrupção passiva, além de outros delitos que possam ser identificados no decorrer do inquérito.

Operação Monã investigou fraude em benefícios na Bahia

Em julho, a Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a segunda fase da Operação Monã, que investiga um esquema de fraudes na concessão de benefícios previdenciários destinados a segurados especiais indígenas no sul da Bahia.

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nos municípios de Eunápolis e Porto Seguro. A Justiça Federal também determinou o afastamento de dois servidores públicos investigados. Segundo a PF, os envolvidos utilizavam declarações falsas de pertencimento a comunidades indígenas para viabilizar a obtenção irregular de aposentadorias rurais, salários-maternidade e outros benefícios previdenciários.

O grupo também é suspeito de atuar na contratação de empréstimos consignados vinculados aos benefícios investigados. Por determinação judicial, foi autorizado o bloqueio de mais de R$ 1,5 milhão em contas bancárias dos principais investigados, além do sequestro de um veículo.

De acordo com a Polícia Federal, os benefícios solicitados pelo grupo podem ter provocado um prejuízo superior a R$ 100 milhões aos cofres públicos. Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e corrupção passiva.

Antes, o empresário Maurício Camisotti assinou uma delação premiada com a Polícia Federal (PF) e admitiu o esquema de fraudes no INSS para desconto indevido de aposentados e pensionistas. As investigações apontam que o esquema de fraudes no INSS funcionou entre 2019 e 2024 e pode ter causado um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões.

Segundo a Polícia Federal, a estrutura operava em três frentes: a criação de associações de fachada, o pagamento de propina a servidores para obtenção de dados de beneficiários e o uso de assinaturas falsificadas para autorizar descontos diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.

O filho do empresário, Paulo Camisotti, foi um dos alvos da CPMI do INSS e compareceu à comissão em fevereiro na condição de testemunha.

PF prende suspeito em operação contra fraude no INSS em Salvador

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