Após polêmica entre polícias de BA e SP, homem se desculpa: 'Não sou ladrão'
Em vídeo, o homem que viralizou ao comparar polícia da Bahia à de SP falou que foi detido após briga com padrasto: 'Não sou ladrão nem vagabundo'
Por Juana Castro.
O homem que viralizou nas redes sociais ao comparar abordagens das polícias da Bahia e de São Paulo se pronunciou para esclarecer o episódio e pedir desculpas à Polícia Militar da Bahia (PM-BA). Identificado como Mateus Moraes, ele afirmou que não é “ladrão” nem “vagabundo” e que foi conduzido à delegacia após uma briga familiar com o padrasto.

"Estou de máscara porque estou trabalhando, mas tirei um tempo para esclarecer e eu espero de verdade que parem de ficar me difamando, porque eu não sou bandido. Sou apenas um trabalhador!", explicou ele na legenda da publicação.
No vídeo, Mateus conta que o desentendimento ocorreu durante sua folga, em uma confraternização no alojamento da empresa onde trabalha. Ele relatou que tanto ele quanto o padrasto haviam ingerido bebida alcoólica e discutiram, o que depois evoluiu para agressão física.
"Ele me empurrou e eu falei: ‘não me bata, porque você não é meu pai. Não toque em mim’. Ele veio e bateu em mim de novo, e eu me defendi", disse Mateus.
Por estarem em ambiente de trabalho, a empresa optou por encaminhar os envolvidos à delegacia. Uma enfermeira que estava no local gravou a situação que viralizou nas redes sociais.
Pedido de desculpas e defesa da própria imagem
Ainda no vídeo, Mateus pediu desculpas à polícia baiana pelas declarações feitas no momento da detenção. “Eu peço, primeiramente, perdão ao policiamento da Bahia. Falei besteira na emoção do momento. Falei o que não devia”, disse.
Ele também afirmou que tem sido retratado de forma negativa nas redes sociais. “O povo 'tá' usando minha imagem de outra forma, dizendo que sou ladrão, que sou vagabundo, mas na verdade não, gente. Eu sou trabalhador. Acordo todo dia 5h30 para trabalhar e sustentar minha filha.”
Moraes ressaltou que é pai de uma criança de dois anos e que não quer ter sua imagem associada a crimes. “Não posso sair como ladrão, vagabundo, se eu não sou. Eu sou trabalhador, pai de família. Eu tenho uma filha de 2 anos, gente. Isso tá feio.”
Ele ainda afirmou que não tenta se colocar como vítima. “Não estou aqui me fazendo de vítima. Só estou aqui para botar os fatos, realmente o que aconteceu. [...] Mais uma vez reforço e peço perdão à polícia da Bahia, mas estou aqui para mostrar o que realmente aconteceu.”
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Veja o vídeo de Mateus:
Entenda
No vídeo que rapidamente ganhou a internet, Mateus afirma que, em São Paulo, os policiais teriam agido com mais tranquilidade em comparação aos oficiais baianos. “Os caras aqui nem a algema está apertada. Se fosse na Bahia, minha cara já estava toda roxa”, declarou. Em seguida, completou: “Os policiais de SP são outro patamar”.
Violência na Bahia
A Bahia apareceu como o segundo estado mais violento do Brasil em 2024, de acordo com dados do Anuário de Segurança Pública, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o ranking, o Amapá lidera a lista dos estados mais violentos do Brasil, com uma taxa de 45,1 mortes por 100 mil habitantes. Em seguida, aparecem a Bahia (40,6), Ceará (37,5), Pernambuco (36,2) e Alagoas (35,4).
O estudo aponta que, em 2024, foram registrados 6.036 homicídios na Bahia, em números absolutos, o que representa uma taxa de 40,6 casos a cada 100 mil habitantes. Mas, apesar da posição no ranking, a Bahia apresentou uma redução de 8,4% em relação ao anuário anterior, de 2023, quando a taxa de mortalidade era de 44,4 por 100 mil habitantes.
Ainda segundo o estudo, Salvador é a segunda capital brasileira com mais mortes violentas intencionais (MVI) a cada 100 mil habitantes. A capital baiana fica atrás apenas do Macapá, no Amapá.
De acordo com o documento, a taxa de mortes violentas intencionais em Salvador, no ano passado, foi de 61, enquanto em Macapá a taxa foi de 71. As MVI contemplam mortes de policiais civis e militares em situações de confronto, além de mortes decorrentes de intervenção policial (em serviço e fora de serviço).
Comparando com 2022, no entanto, Salvador apresentou redução no total de MVI - de 65,2 para 61,0, o que representa uma diminuição de 6,5%. A diferença é acima da média nacional (3,4%).
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