Entenda por que o Discord está sendo investigado após morte de adolescente
Discord é alvo de investigação por possíveis falhas na proteção de crianças e adolescentes após caso de suicídio de jovem de 13 anos
Por Laraelen Oliveira.
O Discord está sendo investigado pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) sobre possíveis falhas na proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma. O procedimento foi instaurado na sexta-feira (7), após a divulgação do caso de uma adolescente de 13 anos que morreu em 22 de julho. O episódio de automutilação e suicídio teria sido transmitido ao vivo pela plataforma.
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A investigação apurar se o Discord cumpriu as obrigações previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), especialmente aquelas relacionadas à prevenção e à redução dos riscos de exposição de menores a conteúdos sobre automutilação e suicídio.

Entre os pontos que serão analisados pela ANPD estão possíveis falhas nos mecanismos de verificação de idade, na identificação e remoção de conteúdos irregulares e na comunicação de situações graves às autoridades competentes.
Segundo informações da ANPD, o Discord terá cinco dias úteis para apresentar informações sobre os mecanismos existentes para prevenir e combater danos graves contra crianças e adolescentes.
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A legislação prevê multa de até R$ 50 milhões em caso de denúncias relacionadas às obrigações investigadas.
Discord também é cobrado pela AGU
Além da investigação da ANPD, o Discord também foi alvo de uma reunião com representantes da Advocacia-Geral da União (AGU) na sexta-feira (7). O encontro tratou de possíveis falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma.
Mais cedo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a AGU deve mover uma ação judicial para pedir a retirada do Discord do ar.
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O caso envolvendo um adolescente de 13 anos é investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul no âmbito da Operação Lívia, realizado com apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP). A nossa reportagem entrou em contato com o órgão para esclarecer algumas dúvidas sobre o caso.
De acordo com a PC-MG, a investigação aponta que a morte da adolescente não foi um caso isolado. O episódio estaria ligado à atuação de uma organização criminosa com alcance nacional e presença no ambiente digital.
As apurações indicam que o grupo usava diferentes plataformas para identificar adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional e, depois, estabelecer contato com as vítimas. Com a aproximação, os integrantes teriam desenvolvido estratégias para exercer controle psicológico sobre elas.
Durante a investigação, os policiais também localizaram outra possível vítima, em outro estado. A identidade dela não foi divulgada. Além disso, foram encontrados indícios que podem apontar para a existência de outras vítimas que ainda não foram identificadas.
O que a investigação vai apurar?
O procedimento da ANPD deverá verificar se o Discord:
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medidas medidas para prevenir e reduzir a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos relacionados à automutilação e ao suicídio;
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possui mecanismos de verificação de idade;
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identificar e remover conteúdos irregulares;
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comunicação de situações graves às autoridades competentes;
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cumpre as obrigações previstas pela ECA Digital.
O Aratu solicitou uma nota à ANPD para confirmar as informações e a abertura da investigação contra o Discord, mas, até a publicação desta matéria, não houve resposta recebida.
ECA Digital amplia proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual
O ECA Digital amplia para o ambiente virtual os direitos e as garantias previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A legislação estabelece medidas para fortalecer a proteção de crianças e adolescentes em produtos e serviços de tecnologia disponíveis no Brasil, como redes sociais, aplicativos, jogos eletrônicos e ferramentas de monitoramento infantil.
Entre as medidas previstas, está a exigência de que as plataformas digitais considerem, desde a etapa de desenvolvimento, o melhor interesse de crianças e adolescentes. Os serviços também devem adotar, por padrão, mecanismos voltados para proteção de dados, privacidade e controle parental.

A preocupação com os impactos do ambiente digital vai além do acesso a conteúdos inadequados. Segundo o psicólogo e professor do curso de Psicologia da Estácio, Ítalo Silva , a exposição constante às telas e às redes sociais pode influenciar o desenvolvimento emocional e social de crianças e adolescentes.
"Estamos diante de uma geração que cresce imersa em telas e redes. A cultura digital traz oportunidades, mas também riscos, como a erotização precoce e a pressão por se encaixar em padrões de comportamento adulto. Isso pode afetar diretamente a saúde mental de crianças e adolescentes, gerando ansiedade, baixa autoestima e dificuldades nas relações sociais", explica.
Proposto pelo senador Alessandro Vieira, o Projeto de Lei nº 2.628/2022 foi aprovado pelo Senado Federa e posteriormente sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em setembro de 2025. A nova legislação entrou em vigor em 17 de março de 2026.
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