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Gari recebe R$ 3 milhões por engano e empresa entra na Justiça

Ex-funcionário ficou com valor recebido como pagamento de horas extras

Por Isabela Cardoso.

Um erro administrativo colocou uma quantia milionária na conta de um trabalhador responsável pela limpeza de estações de transporte nos Estados Unidos. O dinheiro foi enviado como parte de seu pagamento, mas havia um problema: ele não tinha direito ao valor.

A falha só foi descoberta cerca de três meses depois. Quando a empresa percebeu o que havia acontecido, tentou recuperar o dinheiro diretamente com o funcionário, mas não conseguiu.

O caso envolve um ex-funcionário da MARTA, agência responsável pelo sistema de transporte público da região de Atlanta. Segundo informações divulgadas pelo Atlanta News First, o trabalhador recebeu indevidamente US$ 620 mil, valor equivalente atualmente a cerca de R$ 3,1 milhões.

O sistema registrou a quantia como pagamento de horas extras, embora o funcionário não tivesse direito ao montante.

Como o pagamento milionário aconteceu

A MARTA realizou o depósito em abril, mas só identificou o erro administrativo em julho. A quantia havia sido incluída no pagamento do trabalhador como se correspondesse a horas extras.

Após descobrir a falha, a agência tentou resolver a situação diretamente com o ex-funcionário e recuperar os US$ 620 mil. As tentativas, porém, não resultaram na devolução do dinheiro. Diante disso, a MARTA decidiu levar o caso à Justiça e abriu uma ação civil para tentar reaver a quantia.

Tanto o funcionário que recebeu o pagamento quanto o profissional relacionado ao erro que provocou o depósito deixaram a equipe da empresa.

Ex-funcionário pode enfrentar outras consequências

A disputa judicial busca, neste momento, recuperar o dinheiro. O caso, porém, também pode levantar questões sobre as consequências de permanecer com uma quantia recebida por engano.

Ao Atlanta News First, o advogado trabalhista Charles Bridgers afirmou que a situação pode ter implicações dependendo das circunstâncias.

Segundo o especialista, o trabalhador não retirou originalmente o dinheiro da agência de forma ilegal. A situação jurídica pode mudar, porém, quando uma pessoa permanece com um valor que sabe não lhe pertencer.

Até o momento, as autoridades não acusaram formalmente o ex-funcionário de nenhum crime. Bridgers também afirmou que nunca havia encontrado um caso de pagamento indevido envolvendo uma quantia tão elevada.

Justiça pode determinar devolução dos R$ 3 milhões

Caso consiga uma decisão favorável, a MARTA poderá cobrar judicialmente a devolução dos US$ 620 mil. Uma eventual decisão, no entanto, não significa necessariamente que a agência conseguirá recuperar todo o dinheiro de imediato.

Na etapa de cobrança, a MARTA poderá tentar localizar recursos ou patrimônio do ex-funcionário para quitar a dívida. Segundo o especialista ouvido pela imprensa americana, essa pode ser uma das principais dificuldades enfrentadas pela agência.

Valor equivale ao salário de vários funcionários

A dimensão do pagamento também pode ser percebida quando o valor é comparado aos gastos do próprio sistema de transporte.

Segundo cálculos apresentados pelo Atlanta News First, os US$ 620 mil seriam suficientes para bancar aproximadamente um ano de salário de quase 15 trabalhadores responsáveis pela limpeza das estações.

A mesma quantia também cobriria o salário-base anual de cerca de dez policiais da agência. Outra comparação feita pela reportagem aponta que o dinheiro permitiria à MARTA comprar um ônibus novo ou financiar aproximadamente 250 mil viagens de ônibus e trem.

MARTA reforçou controle após descobrir erro

Depois de identificar o pagamento indevido, a agência reforçou os procedimentos utilizados no processamento dos pagamentos.

A MARTA também iniciou um novo treinamento com integrantes da equipe responsável pelos processos internos, em uma tentativa de evitar que erros semelhantes voltem a acontecer.

O episódio ocorre enquanto a administração financeira da agência também enfrenta atenção pública por outros motivos. Recentemente, a MARTA chegou a um acordo de US$ 52 milhões com a cidade de Atlanta após questionamentos sobre o uso de recursos destinados a projetos de infraestrutura de transporte.

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