Influenciador é investigado por usar IA para sexualizar jovens evangélicas
Entre as vítimas do influenciador investigado por manipular fotos está uma adolescente de 16 anos
O influenciador Jefferson de Souza, de 37 anos, está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo por manipular fotos de jovens da Congregação Cristã do Brasil (CCB) e criar vídeos de cunho sexual utilizando inteligência artificial. Entre as vítimas que tiveram imagens divulgadas sem consentimento estão adolescentes.

Conhecido por conteúdos de humor e imitações de Silvio Santos, o investigado utilizava a tecnologia de deepfake para transformar registros fotográficos reais em vídeos falsos com cenas sensuais dentro do contexto religioso.
As investigações tiveram início em fevereiro de 2026, após uma estudante de 16 anos e seus pais registrarem um boletim de ocorrência. O caso que motivou a denúncia envolve uma foto tirada pela jovem em 2025, em frente ao altar da CCB do Brás, no centro da capital paulista.
Na imagem original, a adolescente, então com 15 anos, usava um vestido abaixo dos joelhos e sapatos de salto. Já no vídeo manipulado, o influenciador exibiu a jovem ao lado de outras três mulheres, inserindo digitalmente vestimentas como minissaias — peças que divergem dos costumes doutrinários da instituição.
A vítima afirmou desconhecer as outras pessoas que aparecem na montagem.
O que diz o influenciador
Em depoimento, o influenciador Jefferson admitiu ser o responsável pela gestão dos perfis e pela criação do conteúdo, confirmando o uso de ferramentas digitais para animar as fotos das vítimas.

Como justificativa, ele alegou um erro de percepção, afirmando desconhecer que a denunciante era menor de idade pois, devido ao seu "porte físico", acreditou tratar-se de uma mulher adulta. Além disso, sustentou que as postagens consistiam em "conteúdo humorístico" e em uma forma de crítica pessoal, argumentando que as fotos originais das jovens não seriam adequadas dentro da doutrina da igreja.
Segundo o investigado, a crítica associada à postagem representava sua opinião pessoal de que determinadas fotografias feriam os costumes da instituição.
No último dia 5 de abril, Jefferson publicou um vídeo pedindo desculpas aos membros da Congregação Cristã do Brasil pelas críticas e vídeos postados.
Apesar da gravidade das denúncias e do envolvimento de menores de idade, não há informações sobre pedido de prisão preventiva até o momento. O caso segue sob investigação para identificar outras possíveis vítimas e determinar a extensão dos crimes digitais cometidos.
O uso de deepfakes para a criação de conteúdo pornográfico ou sexualmente explícito sem consentimento é crime previsto na legislação brasileira, com agravantes quando envolve crianças ou adolescentes.
Leia mais: Justiça concede habeas corpus a idosa presa por injúria racial em Salvador
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).