Caso Mãe Bernadete: julgamento segue nesta terça-feira em Salvador
Segundo dia do júri popular do caso Mãe Bernadete está marcado para as 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador
Por Ananda Costa.
Após um dia intenso de julgamento dos acusados no caso Mãe Bernadete, nesta segunda-feira (13), o segundo dia do júri popular de Marílio dos Santos, acusado de ser o mandante do crime, e de Arielson da Conceição Santos, identificado como um dos executores, ocorre nesta terça-feira (14), a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

No primeiro dia, um dos julgados, Arielson da Conceição Santos, confessou ter cometido o crime, mas alegou que não tinha intenção de matar Maria Bernadete Pacífico, no dia 17 de agosto de 2023.
Ao Aratu On, o advogado Marcos Rudá explicou a linha de defesa e a fala do acusado:
“Ele confessa o crime e explica como foi a execução. Demonstrou arrependimento, mas disse que tinha a intenção apenas de dar um susto e que tudo fugiu do controle, muito por uma motivação de uma outra pessoa chamada BZ”, afirmou.
“BZ” é o apelido de Josevan Dionísio dos Santos, preso em setembro do ano passado por participação no crime.
Neste primeiro dia, outras três pessoas foram ouvidas pelo júri: um dos investigadores que esteve à frente das investigações e o neto de Mãe Bernadete, Wellington Pacífico.
O que diz a família de Mãe Bernadete
A família da líder quilombola Mãe Bernadete protestou contra os acusados de assassinar a ialorixá, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
Ao Aratu On, o neto da quilombola, Wellington Pacífico, afirmou que a defesa dos acusados tentou retirar a culpa do mandante do homicídio. Segundo ele, houve contradição entre os advogados e o depoimento de Arielson, que assumiu o assassinato, mas disse que não houve intenção de matar.
“A todo momento, a defesa queria tirar a culpa do chefe de Marílio, queriam inocentá-lo. Já o Arielson, que estava hoje no julgamento, teve um depoimento contraditório, pois assumiu que matou, mas disse que queria apenas dar um susto”, afirmou.
Wellington também questionou o fato de o acusado ter efetuado 25 disparos contra Mãe Bernadete, apesar de alegar que não havia intenção de matá-la.
“Engraçado que ele disse que não era para matar e deu 25 tiros. Imagina se fosse para assassinar? Espero que amanhã se cumpra e se faça justiça. Pelo que vi hoje, eles vão ser condenados, mas prefiro aguardar”, declarou.
Relembre o caso Mãe Bernadete

Mãe Bernadete foi vítima de homicídio em 17 de agosto de 2023, na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. No momento do crime, três netos da vítima — de 12, 13 e 18 anos — estavam no imóvel.
Na época, Mãe Bernadete estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), havia pelo menos dois anos, em razão de ameaças recorrentes. Segundo a defesa da família, os riscos enfrentados pela liderança eram de conhecimento das autoridades.
O assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira teria tido como mandante Marílio dos Santos, investigado e apontado pelo MP-BA como liderança do tráfico de drogas na região. Já Arielson da Conceição Santos foi identificado como um dos executores. Ambos respondem por homicídio qualificado.
Conforme a denúncia, o crime teria sido praticado por motivo torpe, com uso de meio cruel, mediante recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima e com emprego de arma de fogo de uso restrito. Além disso, Arielson também foi denunciado por roubo.
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