Crimes cibernéticos avançam e advogado alerta para vulnerabilidade humana
No Linha de Frente Jus, advogado analisa avanço dos crimes cibernéticos e explica como vítimas podem reagir
Por Matheus Caldas.
Os crimes cibernéticos atingiram mais de 40 milhões de brasileiros no último ano, segundo levantamento do Senado Federal. O crescimento também aparece no Judiciário: as decisões relacionadas a golpes digitais saltaram de 70, em 2010, para um acumulado estimado de 129 mil até 2025.
O tema foi analisado pelo advogado e mestre em Direito Lucas Carapiá, durante entrevista ao quadro Linha de Frente Jus, do Grupo Aratu, divulgada nesta terça-feira (3).
Para ele, apesar da sofisticação tecnológica, os crimes cibernéticos continuam explorando um ponto central: o comportamento humano. "Esse tipo de golpe envolve acesso a dados e tecnologia, mas ele sempre vai ter a vulnerabilidade relacionada à pessoa", afirmou.
Segundo Carapiá, a engenharia social é o principal instrumento utilizado pelos criminosos, que manipulam medo, urgência e confiança para obter informações sensíveis.

Entre os crimes cibernéticos mais comuns está o spoofing. Nessa prática, golpistas utilizam dados vazados — como nome completo e CPF — para simular comunicações de órgãos oficiais, como o portal "gov.br", induzindo a vítima a clicar em links falsos.
Outro golpe recorrente é o do falso motoboy. "A pessoa entrega o cartão quebrado, mas eles conseguem recuperar o chip ou a tarja magnética", explicou Carapiá.
Nesse caso, os criminosos se passam por funcionários da central de segurança do banco e convencem a vítima a entregar o cartão sob o argumento de bloqueio preventivo.
Com mais de 80% das transações bancárias realizadas por celular, o ambiente digital se tornou terreno fértil para os crimes cibernéticos. O Pix, pela instantaneidade, é hoje um dos principais alvos.
Durante o quadro, Carapiá explicou que o Banco Central aprimorou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que agora permite rastrear valores mesmo após transferências sucessivas.
Antes, se o dinheiro fosse rapidamente pulverizado em contas secundárias, o bloqueio era inviável. Agora, há mais chances de recuperação — desde que a vítima aja nas primeiras horas.
Os crimes cibernéticos também migraram para o universo das criptomoedas. Segundo o advogado, o caráter descentralizado de ativos como o Bitcoin dificulta a identificação dos responsáveis.

Ele relatou casos em que valores foram rastreados até carteiras digitais em países asiáticos sem acordo de cooperação com o Brasil, o que torna a recuperação praticamente impossível.
Lucas Carapiá reforçou medidas básicas de prevenção. Bancos não solicitam senhas ou códigos por telefone. Pedidos de ajuda financeira devem ser confirmados por ligação direta. É possível cadastrar o CPF no Banco Central para evitar abertura indevida de contas. Em golpes via PIX, a comunicação imediata ao banco é essencial.
Para o especialista, o enfrentamento dos crimes cibernéticos exige ação conjunta das instituições e mudança de postura do usuário. "A tecnologia avança, mas a melhor proteção ainda é a informação", concluiu.
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